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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

A vida dentro do ninho

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Recentemente, no prédio onde vivo, e no andar de baixo, instalou-se uma família com uma menina com cerca de ano e meio. 

Desde então para cá, penso que não tenha havido noite em que a criança não acorde, em regra mais do que uma vez, em grande e gritada choradeira, audível ao que temo, em quase todo o edifício.  

Lá correm os pais, pressurosos e aflitos a tentar sossegá-la. Lá sossega por fim a criança, para tudo recomeçar pouco depois.

São assim, muitas crianças, nós sabemos. Más para dormir, a dar grandes trabalheiras aos progenitores, que só esperam que a fase da gritaria passe depressa. Tenho ouvido mais mães do que pais, na verdade, comentar esgotadas, que a única coisa que desejam no momento, era poderem dormir uma noite sem serem acordadas.

Também tenho ouvido dizer, sobretudo na fase das saídas noturnas dos filhos, ao menos dantes sabiamos onde eles estavam, agora nunca sei por onde andam à noite. 

A fase da choradeira vai passar, num instante. E enquanto menos se espera, já estão os filhotes a tentar sair dos seus ninhos. 

O espetáculo acabou

esplanada cv.jpg

O espetáculo acabou. O pessoal começa a sair, por aqui ou por ali, como será melhor, há que escolher, consoante os destinos de cada.

Vi aparecer um dos músicos a carregar um grande estojo de violoncelo, a sair por uma porta lateral e a embrenhar-se nos jardins mal iluminados, dada a escuridão. 

Ora aquele devia saber qual a melhor saída. Fui atrás dele, bem como vários outros, pelos carreiros do jardim.

De repente o músico para e pergunta-me, «Sabe qual a melhor saída, para ir apanhar o Metro?»

«Então o senhor que é músico, não sabe?» respondi.

«Não, eu não sou de cá, sou do Porto, vim apenas substituir um colega da orquestra, que estava doente.»

Logo, uns de trás responderam que afinal íamos todos bem, a saída era já ali à direita.

Isto de noite é sempre um pouco mais complicado.

 

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