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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Retratos de imigrantes

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Ao pé de mim vive uma jovem família de imigrantes. Fixaram-se no nosso país há mais de uma década, primeiro o homem, para trabalhar na construção, depois a mulher nas limpezas, tendo mais tarde nascido uma menina.

Vieram do leste, procurando melhores condições que encontraram por cá.

Ao princípio, tudo foram dificuldades, a língua tão diferente, até o alfabeto que é outro o cirílico e perceber as pessoas sempre prontas a enganar os ingénuos. Mas foram ficando e adaptando-se a novas formas de viver.

Depois de a menina ter nascido, quis a mãe ir mostrá-la à avó e restante família, que por lá ficou. Muito natural para quem não tem cá qualquer apoio familiar.

Difícil mesmo era a viagem, o avião não, por ser caro e haver grande apreensão com as diferentes línguas estrangeiras e as mudanças de aeroportos.

E assim, meteram-se mãe e filha ainda de colo, numa camioneta, que durante quatro noites e quatro dias, as levaria ao seu destino, Sofia na Bulgária.

Não houve incidentes de maior, a menina teve de ir ao colo da mãe, pois o autocarro foi sempre enchendo por essa Europa fora. No autocarro, nada de instalações sanitárias, nem sei mesmo se havia cinto de segurança. Mudar uma fralda, dar um biberão ou um parecetemol para a febre, eram um tormento. As paragens eram poucas e sempre muito curtas.

Dia e noite lá seguiram. Quando finalmente chegaram, a mãe tinha os pés inchados que nem bolas de futebol. Mas tinham conseguido e tinham tido muita sorte.

Não fugiam da guerra e tinham parentes e um lar à espera.  

 

 

Ei-los que partem

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Ei-los que partem. São muitos e jovens, sobretudo.

Só na semana passada, no pequeno círculo de familiares, houve dois jantares de despedida, uma enfermeira partia para o Reino Unido e um engenheiro partia para a Alemanha. 

Portugal é o País da União Europeia com mais emigrantes em proporção à população residente. Em 2013 e 2014 sairam 110 mil pessoas por ano.

Ei-los que partem e não só de Portugal. De igual modo, outros países europeus assistem a estas saídas.

Segundo o «Corriere della Sera», quase 90 mil italianos deixaram o seu país, no ano passado, o que atendendo aos 60 milhões de italianos é muito menos, em termos proporcionais, Mas também emigram os irlandeses, os espanhóis e outros mais. 

Não é só o desemprego que os faz partir, muitos invocam principalmente, a oferta de melhores condições de trabalho.

Dizem que a «escada de ascensão social» não funciona, que o que há  é um «funil social», (que me lembra esta foto) e que os empregos que aparecem, são incertos, precários e mal pagos. 

E então quem nos chega?

Para além dos pobres refugiados, que desses não queremos falar agora, chegam-nos também os beneficiários do estado social, os reformados. As tais reformas que os jovens não sabem se alguma vez chegarão a cheirar.

Podemos vê-los por todo o lados, muitos ingleses, franceses, alemães, alguns a comprar casa e a fixarem residência, boas reformas, bom tempo, vida mais barata e ainda recebem os filhos e os netos de visita, nas férias escolares.

Vai assim a Europa e não me parece que vá muito bem. 

 

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