A estufa fria de Lisboa


Numa destas tardes fui passear para o parque Eduardo VII. Não ia para aqueles lados há muitos anos. Pouca gente, mas o lago e os patos lá estavam a receber os visitantes.
Andava por ali na contemplação, quando verifico que um sujeito, talvez dos seus cinquenta, me seguia, querendo fazer-se notado, surgindo ora por um carreiro ora por outro, sorridente e inoportuno.
Coisas estranhas, se passam por aqui.
Refugiei-me na Estufa Fria e pensei, grande parte da minha vida frequentei esta zona de Lisboa. Andava no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho onde as professoras nos diziam para «nunca» atravessarmos o parque, por poder ser «perigoso» para uma jovem. Porém, nos «entas», constatei que o perigo, ou a sua perceção, ainda por lá assoma.
Quando saí da Estufa verifiquei que o dito sujeito, estava sozinho dentro de um carro, à espera não sei do quê. Tristes vidas, de quem não tem mais nada para fazer, do que passar as tardes a importunar quem não gosta de ser importunado.