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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

E quando dinheiro a mais só dá chatices

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Pobres pais da menina Matilde. Não só são contemplados com uma doença complicada e rara que atormenta a filha, como ao criarem nas redes nacionais um peditório nacional destinado à compra de um medicamento de valor astronómico, conseguem em poucos dias reunir cerca de 2 milhões e meio de euros, mais do que o necessário para esse fim.

Os portugueses doaram rápida e generosamente esse dinheiro, comovidos com a situação.

Mas quem pagou o medicamento foi o Estado português, como não podia deixar de ser, ou seja, foram os impostos de todos nós.

Não falo aqui de outros bebés Matildes ou velhos Eduardos, que também precisavam ou ainda precisam de um medicamento ou tratamento em concreto e que continuam a esperar.

Isto porque sempre ouvi dizer, que quem não chora não mama.

Pergunto-me o que devem agora estes pais fazer com tanto dinheiro? Que dupla maldição lhes terá caído em cima. Devolver a sua totalidade, devolver a quem pedir a devolução, será isto possível e exequível? Guardar algum, para o futuro da filha, para ajudar outras crianças, mas com base em que critérios?

Qualquer que seja a decisão a tomar, vai haver sempre críticas e juízos negativos e se não surgir  também algum processo crime por burla ou qualquer outra coisa,  já será uma sorte.

Mais um exemplo das chatices que o muito dinheiro pode dar e que ainda pode vir a atormentar os pobres pais da bebé Matilde. 

Fé ou honestidade

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 A «fides» latina pode traduzir-se por fé ou honestidade. A fé no sentido religioso é coisa pessoal, que não importa aqui referir. Gostaria de focar a honestidade, a transparência ou «accountability», terminologia inglesa agora corrente. E a falta que ela nos faz. 

Realizou-se um grande concerto solidário no Meo Arena para ajudar as vítimas dos incêndios. Recolheram-se em donativos, mais de um milhão de euros, entregues à União das Misericórdias. 

Penso que a primeira preocupação desta instituição seria «dar fé», ou tornar pública, uma previsão das suas despesas para acorrer às primeiras necessidades. Ora, não encontrei rasto desta previsão. Encontrei sim no «facebook», muitas pessoas  com a mesma dúvida, a perguntarem como vão ser aplicados os donativos. 

Hoje, fui ainda surpreendida com a notícia da intervenção da União das Misericórdias no capital, (ou escassez dele), do Montepio. Simples coincidência?

São tantos os exemplos do mau uso desta virtude, que anda muito escavacada, mais do que o alusivo painel de azulejos desta bonita igreja portuense.

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