O verão está dar as últimas e o ano escolar vai recomeçar esta semana, com aulas presenciais. Penso que alunos e professores tenham sentido a falta da presença física nas aulas e nas escolas.
Mas imagino como deve ser difícil aguentar a ansiedade deste regresso para as famílias, para os professores e auxiliares. E então para os alunos? Ainda pior com certeza. Para além do uso obrigatório de máscara, que só por si, dificulta o reconhecimento de expressões faciais, ainda temos de transmitir às crianças o conceito de distanciamento, e a proibição de tocar ou partilhar objetos. E também para os adolescentes, na idade dos desafios e dos namoricos, com a sua apetência para os habituais segredinhos e risadinhas entre grupos. E para todos ainda a preocupação do cumprimento das regras de higiene, da lavagem das mãos e da desinfeção regular.
E quanto à ausência ou limitação dos recreios, e da atividade física ou desportiva, que era o melhor momento do dia para muitos estudantes, pela libertação de tensões ?
Muitos sacrifícios são pedidos. Esperamos e desejamos que as coisas corram bem para toda a comunidade educativa, que vai ser posta à prova neste novo ano letivo.
O que fazer quando o elefante aparece no meio da estrada? Pois, já agora tirar uma foto, claro.
Vem isto a propósito das dificuldades de cada um, vindo-me à memória uma história familiar, passada há muitos anos, quando os carros eram ainda raros, as estradas más e as comunicações quase inexistentes.
No dia de anos de um dos petizes, o automóvel subia devagar a Serra da Estrela, rumo à aldeia natal do avô, onde a família tinha combinado encontrar-se e celebrar o aniversário.
Acontece que o carro parou no meio da subida., «E agora», dizem as filhas aflitas, «o que fazer»? «Temos de esperar que algum carro passe para cima ou para baixo e pedir que avisem o mecânico da aldeia, para vir cá acima, com as ferramentas e as peças para desempanar o carro», disseram os mais sensatos.
E assim fizeram, saíram todos do carro, as crianças, as mães, os pais e o avô, pois nesse tempo, não havia grandes restrições de lugares, nem cadeirinhas de transporte para os mais novos, que iam ao colo dos adultos, e toca a correr e a brincar no meio da serra.
O tempo passava, nada de viaturas à vista e o estômago reclamava.
Foi então que o avô se lembrou, virando-se para a filha mais velha, «Maria Alzira, vocês não trazem aí o necessário para os anos do Toninho?»
E vai de abrir os cestos, retirar os doces, o bolo das velas, os salgados e as bebidas e festejar finalmente o aniversário.
Por fim, apareceu um carro, veio o mecânico e tudo se arranjou. Partiram então, dizendo o avô, «por mais anos que celebre o nosso Toninho, nunca se vai esquecer deste passado no meio da Serra.»