Hoje venho falar de solidariedade, virtude absolutamente essencial quando a crise é grande.
Espalhadas pelas redes sociais há muitas alusões às «caixas solidárias», que se destinam a ajudar ou distribuir alimentos ou produtos de primeira necessidade a pessoas carenciadas. O mote é, «tire o que precisa e deixe o que puder».
Boa intenção, sem dúvida. Mas será que funciona? Há vários registos de vandalização e roubos das caixas, dos seus conteúdos e aproveitamento para despejos de lixo.
Acho por isso preferível que, quem possa e queira contribuir, recorra a uma rede ou instituição já existente para fazer chegar a ajuda aos necessitados, pois muita gente nem pode, nem sabe ou nem consegue recorrer a estas caixas solidárias.
É uma tragédia, uma vez mais, fogo, fumo e cinzas. Vidas ceifadas, famílias desfeitas, casas perdidas, animais queimados, culturas estragadas, em suma, para alguns, se pergunta se haverá ainda vida depois de mais esta provação?
Quando passamos pelas zonas de pinhal ou de serranias no interior do país e vemos a beleza das pequenas aldeias no meio do verde da vegetação, não queremos imaginar o que pode acontecer nos meses de estio e de um momento para o outro.
É verdade, que o interior tem perdido população, que as gentes que por lá vivem são sobretudo idosos, que muitos campos não estão cultivados, que o mato cresce a eito, que o combate aos incêndios talvez não tenha sido o mais adequado, etc.
Mas mesmo assim, serão os fogos na região interior uma fatalidade a repetir com o calor, todos os anos?
Ao contrário, do que já li nas redes sociais, acho que a tragédia é de tal grandeza, que só peço a quem puder ajudar que ajude, através de instituições que possam merecer mais confiança, porque as populações que ficaram, vão mesmo precisar de muita ajuda.