A fila para o bufete

Gosto de bufetes. Apesar de reconhecer que a comida pode não ser muito variada ou criativa, pois habitualmente, nos pratos quentes, o peixe é um bacalhau qualquer coisa e a carne, um lombo assado, gosto de ver as cores e as variedades apresentadas, sobretudo nas entradas e nas sobremesas.
No outro dia, calhou-me mais um bufete. Havia uma mesa redonda ao canto, com aspeto festivo, com alguns convivas, de idade mais avançada e também como é costume, quando se sobe na faixa etária, mais mulheres que homens.
Na fila para o bufete, estavam à minha frente algumas dessas senhoras a servirem-se da sopa. Uma delas levava na mão esquerda um prato de sobremesa enquanto a mão direita se dirigia para a terrina da sopa.
Percebendo que a coisa poderia correr mal, coloquei-lhe com rapidez, em cima do prato de sobremesa uma tigela de sopa, para onde a senhora verteu a dita, agradecendo então, entre risos e brincadeiras de todo o grupo.
«Ai, a minha cabeça, ai o que eu ia fazer», dizia a senhora. Todos nos rimos.