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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

O trabalho que a sorte dá

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Ter sorte, sem ter «mesmo um golpe de sorte», costuma dar muito trabalho. Muito esforço, muito suor, muitas lágrimas. 

Que o digam os nossos grandes atletas. Os medalhados, os das botas de ouro,  os olímpicos, os que se superam todos os dias, anos e anos a fio, por mais um centimetro, por mais um milésimo de segundo. Que o diga a nossa Patrícia Mamona, que entrou ontem, aos 32 anos e após 20 anos de treino, para o grupo restrito do triplo salto dos 15 metros, quando todos lhe diziam que era muito baixinha para o conseguir. 

Consegue voar, linda e maquilhada, e com ela voamos também todos nós. 

Tudo o que eu quero?

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«Tudo o que eu quero?» é o nome de uma exposição de artistas portuguesas de 1900 a 2020, patente desde 2 de junho e até 23 de agosto, na Galeria da Fundação Gulbenkian. 

São várias as artistas representadas, que se fizeram ouvir e reconhecer numa sociedade e num tempo que lhes era adverso.

Se nos lembrarmos que o padrão dos descobrimentos conta apenas com uma figura feminina, neste caso a mãe do Infante Dom Henrique, a rainha Dona Filipa de Lencastre, vemos como as mulheres estiveram afastadas da narrativa. 

Para muitas mulheres existia um lugar vazio na sociedade portuguesa, elas simplesmente não estavam lá.

Porém, há talvez cerca de um século, algumas começaram a ter voz, a expressar-se ou a auto retratar-se, como tão bem soube fazer Aurélia de Sousa.  E daí até à ousadia de Joana Vasconcelos, com o seu enorme lustre ou véu de noiva, feito de tampões higiénicos, claro que não foi um passo, foram muitos passos, muitos anos e muitas lutas.

Como diria Maria Lamas, são mulheres do meu país.

Na rua

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Nunca tinha visto estes pequenos autocolantes nos empedrados dos passeios de Lisboa. Mas achei-os muito a propósito. 

Em alguns bairros com ruas estreitas, passeios escorregadios e esburacados e pejados de porcaria, andar na calçada é uma aventura. Ora cada vez há mais animais domésticos na cidade.

Bem haja por isso a quem colocou estes avisos.  Na verdade, nas zonas assinaladas não encontrei as sujidades  habituais.

«Amor de cão sim. Caca na rua não.»

O pica miolos

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O caso de agressão ou «bullying», de um jovem de 13 anos, por colegas, numa escola do Seixal, que terminou no atropelamento do mesmo, é mais um terrível caso de violência vivida em meio escolar.

Sem contudo, querer diabolizar ninguém, não me parece aceitável qualquer justificação para o caso.

Referir como disse a mãe da agressora, que a vítima, «era um bocado pica miolos», não pode de maneira nenhuma servir de desculpa ou atenuante.

Ninguém, jovem ou adulto é obrigado a dar-se bem com todos. Mas correr aos gritos em bando desenfreado, atrás de um garoto indefeso e assustado e bater-lhe, o que é senão uma agressão ou uma violência? Acresce a isto o ser tudo filmado e partilhado pelos telemóveis, de que todos os miúdos usam e abusam.

Terá de haver muito trabalho nas famílias e nas escolas para que estes casos não se multipliquem. 

Exageros

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Imagino que haja sempre exageros quando se vivem tempos de sobressalto pandémico. Coisas que mais tarde saberemos ser inúteis ou contraproducentes.

Mas os cuidados ou precauções ainda existentes nos lares de idosos, bem mereciam um novo aconselhamento das autoridades de saúde.

Felizmente os idosos já foram vacinados, e os seus cuidadadores também.  Um dos idosos adoece, entra em descompensação, no caso, por diabetes e tem de ser internado em meio hospitalar. Melhora, tem alta, regressa à instituição e é colocado em quarentena, ou seja, no temível isolamento no seu quarto, sem poder conviver com os outros ou deslocar-se até ao jardim.

Dizem que são regras. Pois, são é um exagero. Que precisa urgentemente de ser alterado.

 

A vacina e a igualdade

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Está em curso uma massiva campanha de vacinação contra o covid, que nos repetem ser um sucesso, e que atingiu cerca de 200 mil inoculações no passado fim de semana.

Ainda bem que está a correr com celeridade, que esta é bem precisa.

Mas e os milhares de portugueses que têm ficado para trás, por erro nos agendamentos ou outras circunstâncias, ninguém se lembra deles? Para estes o fator idade ou comorbilidade já não conta?

Há pessoas que cumprem os critérios e esperam pela vacina há cerca de um mês, sem obter qualquer resposta das entidades oficiais. 

Onde está a igualdade de tratamento na distribuição da vacina, bem gostaria de saber, ou será que é tudo espuma e areia para os olhos?

Museu Arte Deco

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Um novo Museu de Arte Deco surgiu esta primavera em Lisboa. Fica em Alcântara num prédio centenário recuperado para o efeito, que conta com um lindo jardim nas traseiras. Foram mantidos traços característicos da habitação familiar, como o chão embutido com madeiras preciosas, as escadarias de pedra, o mirante, a compartimentação antiga e ainda a curiosa cozinha da época. 

Nas diversas salas estão expostas peças de mobiliário e de decoração representativas de arte nova e arte deco.

Dada a delicadeza de algumas peças e a exiguidade dos espaços as visitas são guiadas e exigem uma marcação prévia.

Penso que a exposição melhoraria com sinalética apelativa, neste momento inexistente e expositores que protegessem a fragilidade das peças, dos tapetes colocados no chão ou do parquet marchetado.  Tal reforço facilitaria igualmente o trabalho dos guias, que acompanham os grupos em cerca de bem mais de uma hora. 

No fim, é oferecida uma prova de vinhos do grupo Berardo, porque o museu está considerado como fazendo parte do eno turismo, tornando-se então ainda mais agradáveis as mesas do referido jardim das traseiras.

 

A nossa justiça

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Quem conhece a excecional obra de Victor Hugo, «Os miseráveis», identifica o magistrado Javert como aquele que nunca desiste de perseguir o que ele entende, numa perspetiva muito própria, ser culpado. Tal perseguição ao longo de anos, já não tem nada a ver com a justiça, mas sim com vingança ou ajuste de contas.

Há pessoas assim, há magistrados portugueses assim. Há pessoas cujo maior empenho é dizer mal do trabalho de outrém, desfazer o que foi feito, sem ser caso disso e sem cuidar de saber se está bem ou mal.

Dão uma triste imagem do que deve ser a busca da justiça, mas para eles o mais importante é a sua opinião, a sua razão, a exaltação do seu ego.

Claro que é difícil digerir esta serpente, claro que a sociedade precisa de reagir e tentar corrigir tal desvio, claro que a justiça necessita e muito de ser melhorada. 

O país não pode rever-se na justiça que tem. 

O banco da americana

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Encerrados em casa, evitando contactos sociais e sem poder sair do concelho, é tempo de descobrir locais aprazíveis mais à mão.

Há em Lisboa um velho jardim que quase todos os portugueses conhecem, pelo menos de ouvir falar, o Zoológico.A maioria visitou-o em criança, muitas vezes com as escolas, e mais tarde, enquanto pais ou avós com os seus filhos ou netos.

Apesar de estar fechado, como mandam as regras do confinamento, tem uma agradável zona de entrada, de acesso universal, ajardinada, bem tratada e com alguma bicharada, macacos, crocodilos, patos e pássaros, que muitos lisboetas escolhem agora para o seu passeio higiénico.  

Num dos cantos deste jardim encontra-se o «banco da americana», que homenageia uma incógnita benfeitora, que  em 1940 ao ter passado em Lisboa, considerou este Zoo um «pequeno paraíso para a habitação dos animais.» A sociedade do Jardim Zoológico não tendo outro meio de agradecer a generosa oferta então recebida, resolveu fazer o «banco da americana», como forma de retribuição e na esperança do retorno da visitante desconhecida.  

Se pensarmos no ano de 1940 facilmente compreendemos que o jardim zoológico de Lisboa, em comparação com idênticos jardins de cidades europeias, deveria ser mesmo um paraíso para os animais, onde estes seriam bem tratados e «pareciam ser felizes», como escreveu a senhora.

Mas o que continua a ressaltar é o cuidado e a boa manutenção dos espaços e dos seus habitantes. Que o Zoo possa abrir em breve, se deseja.

 

A primavera a assomar

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Após mais de um ano de vidas suspensas precisamos acreditar que as coisas se vão recompor.

Que belos passeios nos esperam, no norte, no centro ou no sul.

Com um país cheio de belezas há muito por onde escolher e logo agora que a primavera está a assomar.  

Ao menos, que não se perca a esperança. 

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