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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Século 21

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Acabei de ler um livro de que gostei muito, do isrealita Yuval Noah Harari, autor de dois «best sellers», anteriores, Homo Sapiens e Homo Deus, obras estas que eu não li, mas que tenho ouvido louvar.

Claro que ser campeão de vendas pode não ser grande cartão de visita. 

Este livro, porém, pretende lançar pistas no debate sobre o futuro da humanidade, analisando os desafios tecnológicos e políticos do nosso tempo, falando sobre o desespero e a esperança dos seres humanos e ainda sobre as notícias falsas e a pós-verdade, terminando contudo, num sentido otimista sobre a educação, a mudança e o sentido da vida. A leitura é fácil e a linguagem acessível.

No capítulo 20, «A vida não é uma história», refere «Cada geração precisa de uma resposta nova, uma vez que aquilo que sabemos e não sabemos está sempre a mudar. Perante tudo o que sabemos e não sabemos sobre a ciência, sobre Deus, sobre a política e sobre a religião, qual a melhor resposta que podemos dar hoje?»

Anseio recorrente e atual, a procura de uma resposta, penso que esta obra se distingue por saber enquadrar os desafios do presente e desvendar a partir daí, possíveis caminhos do amanhã.

 

Janelas e janelinhas

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Não temos falta de lindas janelas, não senhor. Por todo o  país, nas zonas mais antigas, existem bonitos  exemplares, enquadrados por azulejos ou por cantaria mais ou menos trabalhada, um regalo para a vista.

Agora em termos de eficiência energética e de conforto, sobretudo nas noites e dias gelados, ou nos dias de grande calor, algumas destas janelas são uma desgraça, pois não isolam as habitações, permitindo trocas indesejadas de  temperatura.    

Muitas famílias e instituições têm optado pela mudança de caixilharias nas suas casas e nota-se bem a diferença, nesses ambientes renovados. Ora, como investimento é caro, mas acaba por compensar com a economia de aquecimento e arrefecimento ao longo dos anos.

No alvor de mais um ano

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No alvor de mais um ano veio-me à memória, uma vítima desde nova, da doença dos pezinhos,  que encontrei casualmente com muito boa cara, num destes dias.

«Sim, contou, tinha estado internada, com problemas cardíacos,  teve de colocar um novo pace maker, mas agora já se encontrava bem melhor.»

«Sim, era regularmente seguida no serviço nacional de saúde», onde, que eu saiba, já tinha feito dois transplantes de fígado e  várias outras intervenções e tratamentos decorrentes da sua patologia.  

«E só tinha a sentir-se agradecida.  Todos os dias pensava que continuava por cá, a acompanhar a filha estudante universitária e a mãe nonagenária, graças ao sistema público de saúde.»

Pois que no alvor de mais um ano, façamos votos para preservar aquilo de bom que ainda temos e que nos devia encher de orgulho. 

O Uruguai

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Bandeira do Uruguai com o sol representado

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Chá mate, bebida nacional

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Punta del Este, Casapueblo

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Montevideo, praça do libertador

 

O Uruguai, um pequeno país da América do Sul, com cerca de 3,5 milhões de habitantes, entalado entre a Argentina e o Brasil costuma ser descrito pelos europeus como uma agradável surpresa, talvez pelas suas evidentes influências europeias.  E assim foi para mim. A capital, Montevideo onde vive mais de metade da sua população, dispõe de uma linha costeira magnífica, que ladeia o «Mar del Plata», quase uma «rambla» de cerca de 30 quilómetros, por onde passeiam democraticamente, nos seus tempos livres, grande parte dos seus habitantes.

O resto do país tem agricultura, sobretudo pastagens para gado bovino, fornecedor de boa carne e também vinha, que igualmente produz bom vinho.

Mas no Uruguai fica ainda Punta del Este, praia de água fria, mas com muita procura naquelas paragens. 

Em Punta del Este existe a Casapueblo, casa construída pelo artista Carlos Paez Vilaró. Onde este  viveu com a família e se reunia com os seus amigos, para assistir ao pôr do sol, cerimónia que os  visitantes costumam também presenciar. Ver o sol a mergulhar nas águas, pode parecer uma trivialidade, mas para muitos, oriundos de países sem costa virada a Oeste, é um momento único.

Não se pode falar do Uruguai, sem falar da sua bebida nacional, o chá mate, hábito que novos e velhos partilham, transportando consigo, o termo de água quente e o pucarinho com as ervas da planta e ainda do tango, pois que, segundo dizem, o tango nasceu no Mar del Plata. 

Presa pelos fundilhos das calças

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Ontem desequilibrei-me e caí ao descer nas escadas rolantes do Metro. Pois é, carregar sacos de compras, abrir e fechar a carteira para tirar o passe e descer as escadas da Baixa Chiado, tudo ao mesmo tempo, talvez já não seja para a minha idade.

Não tive grandes danos, a não ser o dano nas calças, que ficaram rotas e arejadas como manda a moda.

Mas o que me aconteceu e podia ser bem grave, foi ter ficado presa pelos fundilhos das calças na engrenagem do tapete rolante das escadas, sem me conseguir levantar e com pessoas atrás em risco de caírem também. Até que apareceu um salvador, que vinha a subir e correu ao ver a situação e lá me ajudou a libertar a tempo, auxiliando os outros passageiros a passar no entretanto, e apanhando ainda os sacos espalhados.

Mas fiquei a pensar, então estas escadas não deveriam ter uns sensores que as façam parar quando alguma coisa fica entalada?   

 

  

A simplicidade do presépio

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Vem aí mais um Natal. Os enfeites e as luzes da época, aparecem cada vez mais cedo, mas por outro lado a representação do nascimento do menino Jesus é cada vez menos frequente.

Ora aqui está segundo a tradição, começada em Itália por S. Francisco de Assis,  o pai, a mãe e o menino, rodeados do burro, da vaca e das ovelhas, o presépio na sua rústica simplicidade.

Boas Festas.   

No princípio de Novembro

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No princípio de novembro antecipando o frio, comprei uma bonita camisola, macia, fofa e quentinha.  Ao fim de a usar um par de vezes, começou a encaracolar e a formar borboto em montões.

Parecia mais velha do que muitas das minhas idosas malhas, casacos e casaquinhos, que têm passado de estação para estação.

No fim do mês de novembro, voltei à loja, Massimo Dutti, convém sublinhar, sem talão, pois que este já tinha desaparecido, só numa de me queixar. «Ora vejam, lá o que me aconteceu...»

Para minha surpresa e agradável, a loja reconheceu o artigo e aceitou trocá-lo. Não por outra malha, credo, decidi eu.

Dizem vocês, que é assim que deve ser. Lá isso é, mas nem sempre acontece. 

 

Ay Argentina, ay Patagónia

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Andei por outras paragens no hemisfério sul. Argentina, terra do Papa Francisco, terra do tango, que não é exclusivo da Argentina, mas sim, como explicaram do Mar da Prata, o que inclui também o Uruguai,  e Buenos Aires, cidade imensa, traçada a régua e esquadro, com maravilhosa arquitetura europeia do século 19, e com a sua conhecida praça de Maio, onde durante os tristes anos de ditadura se reuniam e manifestavam as mães de Maio, e onde  aparecem agora outros descontentes.   

Depois desci até à Patagónia e às chamadas terras do fogo e do fim do mundo. Terra do fogo, porque os primeiros marinheiros que a circundaram, e aqui vem à lembrança a viagem de Fernão de Magalhães,  viram durante a noite os fogos ou fogueiras dos povos que a habitavam, os índios da Patagónia e assim a denominaram. E terra do fim do mundo,  porque está mesmo no fim,  como a cidade e o arquipélago de Ushuai, outrora conhecida pela sua prisão de alta segurança, que funcionou  até meados do século 20 e de onde partem atualmente expedições para a Antártida. 

Muitos turistas, gente de todo o lado e durante quase todo o ano, se bem que abundem sobretudo na primavera e no verão do sul, em busca da montanha, da neve, do ski, do trekking e de outras descobertas.

Natureza virgem, glaciares, pinguins, leões marinhos, neves eternas, vento muito, sempre do Oeste, vindo do Chile, atravessando a cordilheira dos Andes e frio quase todo o ano. Mas uma beleza, que aqui recordo.

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Artistas desconhecidas

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Gosto de quadros. Acho que, por vezes, uma pintura nos pode abrir a cabeça e transportar para outra dimensão. 

Vem isto a propósito do óleo reproduzido, que me chegou às mãos, por via familiar, uma natureza morta, ou  como dizem os ingleses, «still life», ainda vida, e cuja autora é exemplo da situação das mulheres no princípio do século 20. 

Num tempo em que as meninas educadas, tocavam piano e falavam francês, esta aprendera também a pintar. Gostava de o fazer, escolher os temas, as telas, as cores, desenhando flores ou objetos do quotidiano. Mas tinha pouco tempo, marido e seis filhos no total. Família recomposta, dizemos agora. Dois filhos dela, que enviuvara cedo, dois filhos do marido que era divorciado e dois filhos em conjunto. Na altura, esta situação, nem era muito comum. Mas cheguei a conhecer alguns filhos desta Adriana Soares que sempre me disseram, que os pais não faziam qualquer diferenciação de tratamento entre os irmãos.

Quando mais tarde, com os filhos criados, enviuvou de novo, e num tempo em que não havia qualquer proteção social, lembrou-se de pintar. Talvez pudesse fazer uma exposição, vender algum quadro e assim ganhar independência financeira e não pesar no orçamento dos filhos.

Sei que chegou a expor em Lisboa, mas não conseguiu vender nenhuma das obras, o que muito a entristeceu.

Por isso, as suas obras ficaram guardadas nas casas de familiares, que contavam a história e a recordavam com muito carinho.

 

O cágado e a liberdade

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Um meu antigo colega, pescador à linha nas horas vagas, quis oferecer um dia, aos meus filhos, então ainda crianças, três pequenos cágados.

Ao que me explicou, os cágados eram «pescados» agarrados ao isco, nos rios ou lagoas, por onde andava, sobretudo na zona saloia.

Dos três iniciais, já só nos chegaram dois, pois parece que um deles terá escapado no transporte.

Os meus filhos adoraram. Fomos a uma loja de animais, comprar um terrário e comida adequados.

E os bichos foram um sucesso, pelo menos durante alguns meses. Comiam, dormiam, mergulhavam e podiam andar de mão em mão.

Porém, um dos animais, começou a ter o que parecia ser uma infeção num dos olhos e depois no outro olho e apesar dos tratamentos indicados na loja, apareceu morto em pouco tempo.

Mas ao menos, ainda restava um. Eis senão quando, surge num dos olhos do sobrevivente, o que parecia ser a mesma inflamação.

Foi então, que falei com os rapazes, «se eles gostavam do bicho, mais valia devolvê-lo ao seu meio ambiente, onde pudesse crescer saudável, pois era a sua melhor hipótese de sobrevivência».

E assim fizemos.  E apesar dos anos, ainda hoje me lembro da reação do animal. Colocado no chão nas margens de um riacho, o Lizandro, parecia nem querer acreditar que estava a voltar à sua liberdade. Primeiro, mergulha com cautela a cabecita nas águas correntes e depois o corpo todo, e só então, suponho que satisfeito, se afasta para sempre a nadar rapidamente.  

E desta vez, não houve prantos nem lamurias por parte das crianças.

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