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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

O pensar diferente do Papa Francisco

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Às vezes sentimos passar por nós uma lufada de ar fresco, mesmo nos momentos mais escuros, como aquele em que nos encontramos, atordoados com a pandemia.

Ouvir um Papa dizer que os homossexuais também são filhos de Deus e que merecem o apoio das leis, no caso de constituírem família, é uma novidade inaudita para muitos. 

Glória a Deus nas alturas, será caso para dizer.

Por outro lado, assistir a uma missa de sétimo dia, numa igreja do distrito de Lisboa com lugares separados e marcados, com álcool gel na entrada e na saída, mas com os fiéis aos molhos a atropelar-se ao avançar para a comunhão, parece coisa mesmo a querer chamar o covid. Não poderiam as igrejas combinar com os paroquianos, uma forma diferente de partilhar a comunhão? Cada um trazia uma hóstia ou um bocadinho de pão de casa, que era depois abençoada pelo padre, em conjunto, e depois seria ali consumida no momento certo. 

Afinal a fé é que nos salva.

Mas pronto, já sei que vou ser considerada ímpia por muito boa gente.

Distanciamento

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O ser humano não fica propriamente feliz com o distanciamento social imposto. As pessoas  gostam e precisam de conviver.

No outro dia, assisti a uma mãe a explicar às suas crianças, regras de comportamento seguro no relacionamento com os outros.  Dizia a senhora, «vocês podem andar no jardim e brincar livremente desde que abrindo os braços não toquem em ninguém». 

E lá iam os meninos divertidos a correr por entre as árvores, de braços esticados, como asas de avião, procurando não tocar nas outras pessoas.

É uma regra simples que qualquer um entende, mas que por vezes não se adapta às ruas e vielas estreitas dos centros históricos das nossas cidades. Aí será mais simples cada um virar-se de costas e seguir rentinho à parede. Mas será impossível adaptar este comportamento aos transportes públicos lotados.

A fábrica de loiça de Sacavém

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Qual o português ou portuguesa, que não se lembra de ver, nas casas dos avós ou dos pais, ou até de possuir, uma peça, ou mais, da famosa loiça do cavalinho? Havia pratos, terrinas e chávenas em diversas cores e com diferentes motivos, mas o mais conhecido era sem dúvida, o cavalinho. Além da loiça doméstica foram também produzidas loiças sanitárias e azulejaria.

Recordo igualmente um dos populares slogans da altura, «Sacavém é outra loiça.»

Hoje, muitas destas peças são disputadas por bons preços, por colecionadores.

Mas a fábrica que surgiu em 1850, acabou por ser declarada falida em 1994, tendo os seus bens sido vendidos em hasta pública, entre os quais os muitos hectares de terreno onde se inseria, que deram origem a uma nova urbanização em Sacavém . 

Resta-nos agora o Museu de Cerâmica de Sacavém, que cresceu por iniciativa da Câmara de Loures, no local e em torno de um dos seus antigos fornos e onde se pode apreender um pouco da história da fábrica e ver ou relembrar algumas das diferentes decorações.

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Crime de propagação de doença contagiosa

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Andar na rua ou nos transportes, sabendo-se ou suspeitando-se infetado com doença contagiosa, é pelo direito penal português, crime punido com prisão.

Que isto fique muito claro, que bem precisa de entrar nas nossas cabeças.

E que dizer de uma família de três pessoas, pai, mãe e filha menor, que sabendo-se contagiados com o novo coronavírus, mas sem sintomas, decidiram mesmo assim, embarcar no avião, de Luanda até Lisboa, rasgando as análises e fazendo de conta que com eles estava tudo bem?

E como deixam desembarcar nos nossos aeroportos, passageiros vindos de zonas com elevadas taxas de infeção, sem  análises prévias de covid, sem análise na hora, ou sem quarentena?

Brincamos é?

Regresso à escola na pandemia

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O verão está dar as últimas e o ano escolar vai recomeçar esta semana, com aulas presenciais. Penso que alunos e professores tenham sentido a falta da presença física nas aulas e nas escolas.

Mas imagino como deve ser difícil aguentar a ansiedade deste regresso para as famílias, para os professores e auxiliares. E então para os alunos? Ainda pior com certeza. Para além do uso obrigatório de máscara, que só por si, dificulta o reconhecimento de expressões faciais, ainda temos de transmitir às crianças o conceito de distanciamento, e a proibição de tocar ou partilhar objetos. E também para os adolescentes, na idade dos desafios e dos namoricos, com a sua apetência para os habituais segredinhos e risadinhas entre grupos.  E  para todos ainda a preocupação do cumprimento das regras de higiene, da lavagem das mãos e da desinfeção regular.

E quanto à ausência ou limitação dos recreios, e da atividade física ou desportiva, que era o melhor momento do dia para muitos estudantes, pela  libertação de tensões ?

Muitos sacrifícios são pedidos. Esperamos e desejamos que as coisas corram bem para toda a comunidade educativa, que vai ser posta à prova neste novo ano letivo. 

O medo, sempre o medo

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Fila do supermercado para pagar. Manhã de dia calmo, pouca gente. A menina da caixa faz sinal à senhora à minha frente para avançar e colocar as compras no tapete. A senhora hesita, pergunta pela desinfeção do tapete. A menina diz que «já a fez, mas se a senhora quiser posso fazer outra vez.»

Não sei se tinha feito, não reparei. 

Mas a partir daqui a senhora, com luva de borracha na mão direita, indignou-se, «que não era resposta que se desse, que eram os clientes que pagavam os ordenados dos trabalhadores, que não gostava de ser atendida por gente malcriada, que se ia queixar à chefe» e por fim, com ar ameaçador, «como é mesmo o seu nome?»

O medo faz as pessoas reagirem assim.

 

 

Recomendações secretas

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Na verdade, dá  que pensar, que recomendações feitas pela Direção Geral da Saúde quando à festa do Avante, no âmbito do combate à pandemia, possam ser mantidas secretas. 

Pelo contrário, deveriam ser divulgadas para que o público e os participantes as conhecessem e adequassem o seu comportamento de acordo com as mesmas. 

Alguém percebe a utilidade deste secretismo, quando se trata da proteção da saúde de todos nós? 

O desconfinamento

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Perguntaram-lhe há poucos dias, como tinha vivido o seu confinamento, «lá se passou», disse, mas naquele momento, ela lembrou-se, sobretudo do seu desconfinamento.

Depois de semanas isolados em casa, a sair apenas para comprar víveres, ir à farmácia ou  levar a cadela à rua, surge um dia em que um dos filhos propõe ao grupo familiar um encontro no grande parque lisboeta Eduardo VII.

E assim se fez. Cada casal sentado na relva, no seu canto, todos ainda suficientemente distanciados uns dos outros. Mas já se podiam ver e falar ao vivo.  E mais importante, respirar a primavera. Porém, nada de proximidades.

Contudo, no meio da tarde, eis que o neto, petiz que parecia apenas interessado nas brincadeiras dos cães e dos patos no lago, se aproxima com uma minúscula flor na mão para lhe oferecer.

Ora, não podia ter havido melhor desconfinamento.

Não mãezinha ainda não pode ser hoje o nosso almoço...

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Depois de muitas marcações e desmarcações, conseguiram finalmente as duas irmãs ir visitar a mãe internada num lar. Já não a viam há meses.

Primeiro as visitas tinham sido proibidas pelos perigos da pandemia, depois tinha aparecido uma auxiliar da cozinha infetada com covid, depois nova precaução com qualquer outra coisa, tudo tinha adiado a visita. Recebiam notícias e iam falando pelo telemóvel, com câmara, mas não era a mesma coisa.

A mãe ainda as conhecia e ficava sempre contente de as ver. Em regra, davam depois as três,  uma voltinha de carro e muitas vezes iam almoçar ou lanchar em lugares conhecidos. Era assim a sua rotina de fim de semana. 

Naquele domingo iam estar juntas. Mas nada de abraços, nem proximidades, haveria um acrílico a separar as visitas.

A mãe toda arranjada ao ver as filhas, perguntou-lhes alvoraçada, «se sempre podiam sair um bocadinho?» Aí uma delas respondeu, «não mãezinha, ainda não pode ser hoje o nosso almoço, fica para a próxima...»

Que próxima, quando seria esta próxima e chegaria a haver uma próxima para elas? Acalmaram a mãe o melhor que puderam e saíram as duas a esconder as lágrimas o melhor que conseguiram. 

A barreira da EMEL

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Com a pandemia alguns serviços públicos pioraram, e muito, disso não tenhamos dúvidas. 

Ando há meses, desde o desconfinamento, a tentar renovar o dístico de residente para o meu carro.  Sem qualquer sucesso. Tentei pelo telefone, por emails, cheguei a ir lá pessoalmente para me agendarem o dia e hora de atendimento, continuo a tentar repetidamente pela plataforma e nadinha. Surgem sempre umas respostas simpáticas, que serei contactada em 24 horas, que o meu pedido foi submetido com sucesso, que me deixam sempre esperançada, mas nada se concretiza.

Verifico que não estou sozinha neste percurso. No artigo de opinião do Expresso, desta semana, Clara Ferreira Alves relata a mesma experiência.

Talvez a EMEL tenha desaparecido, penso eu. Qual quê, os fiscais andam por aqui bem cedinho. Para as multas funcionam.

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