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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

sou daquelas

ajule porto.jpgSou daquelas que nunca acharam que o lugar de uma mulher que faz um aborto é nos tribunais ou na cadeia, como aliás continua a ser em muitos locais do nosso mundo. Lutei contra isso e lutaram muitas da minha geração. Em Portugal a contraceção é permitida e gratuita.

Agora ouvir dizer a uma infeliz, cujo nome não retenho, num programa televisivo e repetido nas redes, que teve de fazer «um aborto porque o meu namorado me disse que não queria aquele filho», parece um grande despropósito.

Já sei que vale tudo, pelos 15 minutos da fama. Mas que fama é esta ? 

Amores diversos

bjs.jpgTal como os chapéus há quem diga que amores há muitos.  E de diversas formas e feitios. Conheci pais que pagaram a empregadores para «contratarem» os seus filhos, ou pelo menos fingirem, para ver se os jovens atinavam, ganhavam rotinas e aprendiam qualquer coisa, mas também conheço um filho que pagou do seu bolso, para a mãe sair de casa e do seu marasmo. 

A senhora ficou viúva muito cedo com um filho único, criança ainda, para criar. Trabalhava muito, num escritório e ainda levava trabalho de contabilidade para completar em casa noite adentro. Insistiu com o filho para que ele estudasse e continuou a fazer sacrifícios para que nada lhes faltasse.

Com o tempo, o filho entretanto criado e formado, chegou a idade da reforma. E com a reforma o marasmo ou depressão. O filho depressa compreendeu a situação. A mãe tinha de continuar a «trabalhar». 

Foi então que ele se lembrou de ir ao antigo emprego da mãe e engendrar um sistema de «part-time», em que a mãe tivesse de lá ir diariamente para atualizar um determinado ficheiro. Ele entregaria mensalmente um envelope que depois os recursos humanos fariam chegar à mãe, como se fosse o seu pagamento.

E assim foi e durante vários anos. A senhora saía de casa na Graça metia-se num elétrico e chegava a Belém, onde a esperava o tal ficheiro. À tarde era o inverso,  porém só as deslocações e o estar com os antigos colegas num ambiente acolhedor, concediam-lhe horas de felicidade.  

Claro que o ficheiro, numa altura já da introdução do computador não seria de grande utilidade, contudo, esta senhora preencheu assim os seus últimos anos, graças ao amor do seu filho.

Firme como um rochedo

 

Quando eu nasci já a rainha de Inglaterra reinava no seu pais e gerava curiosidade à sua volta dada a sua juventude e elegância. Em Fevereiro de 1957 veio com o seu marido em viagem oficial a Lisboa, que deve ter sido muito especial para o jovem casal, pois foi em Lisboa o seu reencontro, após os compromissos profissionais daquele.

Num país cinzento e triste onde nunca acontecia nada, foi uma alegria muito grande a visita da rainha. As minhas três tias, irmãs do meu pai, que viviam praticamente em nossa casa, prepararam-se com afinco para descerem à baixa e correrem ao Terreiro do Paço, ao cais das colunas, onde seria o majestoso desembarque. Ainda tentaram arrastar a minha mãe, que com duas crianças pequenas à sua volta, achou que seria demais. Eu porém, com perto de 4 anos, fiquei no ar, como seria uma rainha a sério?

Quando ao final do dia chegaram as minhas tias estafadas e desanimadas e contaram as suas aventuras ou desventuras, ficou bem claro que elas não tinham conseguido ver a rainha, pois eram só ruas cortadas, gente por todos os lados, militares e polícias aos magotes.

Ainda não havia emissões regulares de  televisão, e poucas famílias tinham aparelhos. Restavam as fotos na imprensa escrita, nos jornais e revistas da época.

No momento em que parte a Rainha Elizabeth II gostaria de a evocar pelo seu exemplo de vida, a sua firmeza e sentido de dever.

 furnas graciosa.jpg

A inocência dos três anos

graciosa.jpgAndou recentemente de avião pela primeira vez. Naturalmente curioso e de acordo com os seus três anos, seguiu com atenção as explicações de segurança da hospedeira, olhando a par e passo para o folheto informativo. Colete salva vidas, lhe chamou ela, enfiar pela cabeça, apertar à frente, encher para ficar parecido com uma boia de piscina ou praia, achou ele.

Depois o infante arrumou tudo na bolsa do banco da frente e saiu-se com esta, «olha nem sabia que estes aviões podiam parar na água.»

Não fiz qualquer comentário, mas fiquei a pensar, é bom sinal que nenhum de nós o saiba, nem o venha a saber nunca. 

Falta de água ou desperdício

Por estes dias, andamos todos aflitos com a seca, a escassez da chuva, o baixo nível das albufeiras a diminuição das nascentes.

Não se consegue viver sem água, é uma evidencia, e ela é cada ano, um bem mais raro. Deve ser poupado e controlado. Poucas regas, diminuição das lavagens e sobretudo nada de desperdícios.

Ora esta boca de incêndio da responsabilidade da Epal, num passeio lisboeta, é bem o exemplo contrário disto. Já não falo do lixo, falo sim da ervas daninhas que apesar deste forte estio, não estiolam, antes vicejam por entre as pedras da calçada. 

Esta boca de incêndio,

boca incendio.jpg

bem como muitas outras, tem uma fuga de água, várias vezes reportada às autoridades, neste caso a Epal, mas até hoje sempre sem sucesso. 

Não deveriam os serviços públicos responsáveis acordarem e preocuparem-se a sério com a escassez da água?

 

Burocracites

         A burocracia ou «burrocracia» é um pecado muito português, capaz de desesperar a mais paciente criatura.  Os serviços públicos aproveitaram a pandemia , a onda ou o que quer que seja, para resolverem ou facilitarem muitas coisas on line. Mas algo continua a falhar. Como pode a renovação de um pedido feito há menos de um ano, e não tendo havido qualquer alteração da situação, exigir de novo a entrega dos mesmos documentos ? Assim acontece com a renovação do dístico de estacionamento da viatura para cidadão residente estabelecido pela  EMEL.

É um desespero, dei comigo a desejar estar numa repartição a tirar uma senha, esperar a minha vez e ser atendida ao balcão, por alguém que entendesse o significado de renovaçáo por mais um ano de um pedido  anterior. Tudo igual, igualzinho, só mais um novo ano.

O caminho é de pedras. Pedregulhos.

Saibamos simplificar e não complicar. pedras rio.jpg

A aprendizagem infantil da língua portuguesa

 

 

 

 

alice.jpg

Aprender de pequenino a língua portuguesa, não é tarefa fácil.

Há muitos verbos irregulares e formas verbais bem tramadas. Claro que em adulto ainda deve ser pior, mas por ora concentremo-nos na aprendizagem infantil.

Dizia o garoto com a segurança dos seus três anos, desolado no meio dos seus carrinhos dispersos, «perdemos a escavadora, perdemoszia..

Não é «perdemoszia» é perdêmo-la...

Rápido interrompe, «não perdemos não, encontrámozia, está aqui».

Lições de português e não muito bom, que acabam sempre com boas gargalhadas. 

Abusos na igreja católica

ajule porto.jpgFui educada numa família católica que ia à missa ao domingo, e por isso, frequentei a catequese e fiz a primeira comunhão na minha paróquia da altura em Lisboa, Santo António de Campolide. Eu e outras da minha criação. Era costume confessarmo-nos regularmente em certas épocas do ano. As lembranças que tenho dessas confissões são tristemente sinistras, pois que já menina e moça a única coisa que interessava a alguns  párocos era se tínhamos namorado e o que fazíamos com o dito. Eu não tinha namorado nenhum,  pelo que num instante, era despachada com três avé marias de penitência, mas no entanto considerava a pergunta uma intromissão. As mais velhas e mais experientes avisavam as miúdas mais novas para não irem a determinado confessionário, havia diversos então, porque o padre se punha a perguntar mais isto e mais aquilo.

Não me move nenhum intuito persecutório contra a igreja, pois reconheço nela muitas virtudes e sãos princípios.

Contudo, não posso deixar de me alegrar por ter sido agora criada uma comissão independente para a apreciação de abusos na igreja católica, que com certeza terá bastante que apurar.  Abriu-se finalmente uma porta de desabafo e reconciliação para muitas vítimas.

Contudo, nestes como em muitos outros casos, o problema será sempre a prova dos factos, em muito agravada pela distancia.

 

O assédio e a faculdade de direito de Lisboa

Fserralves.jpg

Discute-se por estes dias, situações de assédio e humilhação ocorridos na Faculdade de Direito de Lisboa. Porque por lá passei e por lá me licenciei, tendo experenciado a vida académica durante os últimos anos da ditadura, com a introdução dos vigilantes  ou «gorilas»,  devo reconhecer que a Faculdade era nessa altura um local em que os estudantes ou melhor, sobretudo, «as» estudantes, grupo então minoritário, eram humilhadas, rebaixadas e desconsideradas.

Consistia numa tática conhecida e usada por alguns professores. As taxas de reprovação eram muito elevadas, sendo que só cerca de 10% dos alunos que entravam no primeiro ano conseguiam acabar o curso. Também as notas eram em Direito muito mais baixas do que noutros cursos. Lembro-me de um assistente ter dito a uma bonita caloira que a nota de 8 que lhe tinha atribuído na prova escrita demonstrava que ela era «muito boa.» 

As provas orais quase sempre obrigatórias, afiguravam-se de tal modo aterradoras que num dia em que calhou ser examinada por um dos grandes catedráticos, quase todos os alunos convocados faltaram à primeira chamada, tendo sido apenas eu e um Abdul africano, os únicos a fazermos a dita oral e talvez por sermos apenas dois e atrevidos representantes de minorias, com sucesso. 

Assim se vivia o ambiente de poder e de intimidação na época. Espantoso é que depois de tantos anos as coisas pouco tenham mudado.

Liga portuguesa contra o cancro

 

liga.jpg

A Liga Portuguesa Contra o Cancro realiza anualmente em certas datas, peditórios nacionais. Mas a possibilidade de serem feitos donativos está sempre aberta e são estes que permitem que o trabalho da Liga prossiga na investigação e no apoio a doentes e familiares.

Trata-se de uma importante organização fundada em 1941, que os portugueses bem conhecem e que tenta agora recuperar diagnósticos e tratamentos que ficaram atrasados com as preocupações da pandemia.

Ouvi há dias alguém próximo, a quem o cancro tinha roubado prematura e inesperadamente um familiar dizer, «com as restrições do covid muitos não se puderam despedir nem acompanhar doentes e familiares na sua hora de dor, por vezes, nem umas simples flores conseguiram levar, aproveitemos assim a oportunidade de doar o dinheiro dessas flores como símbolo para a luta contra o cancro.»

Quer através de um donativo direto ou de indicação no preenchimento do IRS está na hora de retribuir.

 

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