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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

A nossa justiça

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Quem conhece a excecional obra de Victor Hugo, «Os miseráveis», identifica o magistrado Javert como aquele que nunca desiste de perseguir o que ele entende, numa perspetiva muito própria, ser culpado. Tal perseguição ao longo de anos, já não tem nada a ver com a justiça, mas sim com vingança ou ajuste de contas.

Há pessoas assim, há magistrados portugueses assim. Há pessoas cujo maior empenho é dizer mal do trabalho de outrém, desfazer o que foi feito, sem ser caso disso e sem cuidar de saber se está bem ou mal.

Dão uma triste imagem do que deve ser a busca da justiça, mas para eles o mais importante é a sua opinião, a sua razão, a exaltação do seu ego.

Claro que é difícil digerir esta serpente, claro que a sociedade precisa de reagir e tentar corrigir tal desvio, claro que a justiça necessita e muito de ser melhorada. 

O país não pode rever-se na justiça que tem. 

O banco da americana

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Encerrados em casa, evitando contactos sociais e sem poder sair do concelho, é tempo de descobrir locais aprazíveis mais à mão.

Há em Lisboa um velho jardim que quase todos os portugueses conhecem, pelo menos de ouvir falar, o Zoológico.A maioria visitou-o em criança, muitas vezes com as escolas, e mais tarde, enquanto pais ou avós com os seus filhos ou netos.

Apesar de estar fechado, como mandam as regras do confinamento, tem uma agradável zona de entrada, de acesso universal, ajardinada, bem tratada e com alguma bicharada, macacos, crocodilos, patos e pássaros, que muitos lisboetas escolhem agora para o seu passeio higiénico.  

Num dos cantos deste jardim encontra-se o «banco da americana», que homenageia uma incógnita benfeitora, que  em 1940 ao ter passado em Lisboa, considerou este Zoo um «pequeno paraíso para a habitação dos animais.» A sociedade do Jardim Zoológico não tendo outro meio de agradecer a generosa oferta então recebida, resolveu fazer o «banco da americana», como forma de retribuição e na esperança do retorno da visitante desconhecida.  

Se pensarmos no ano de 1940 facilmente compreendemos que o jardim zoológico de Lisboa, em comparação com idênticos jardins de cidades europeias, deveria ser mesmo um paraíso para os animais, onde estes seriam bem tratados e «pareciam ser felizes», como escreveu a senhora.

Mas o que continua a ressaltar é o cuidado e a boa manutenção dos espaços e dos seus habitantes. Que o Zoo possa abrir em breve, se deseja.

 

A primavera a assomar

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Após mais de um ano de vidas suspensas precisamos acreditar que as coisas se vão recompor.

Que belos passeios nos esperam, no norte, no centro ou no sul.

Com um país cheio de belezas há muito por onde escolher e logo agora que a primavera está a assomar.  

Ao menos, que não se perca a esperança. 

A pandemia e as crianças

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Fecharam as escolas, as crianças ficaram em casa e as famílias tiveram que se virar com os pais em teletrabalho, mais ainda com a provisão e preparação de refeições e os devidos cuidados infantis.

Resumindo, muitos netos passaram a estar mais tempo com os avós. 

Assim, aconteceu com o nosso benjamim. São agora seguidas muitas regras, chegar a casa, tirar os sapatos, lavar e desinfetar as mãos, guardar a máscara etc...

Tenho o hábito de pendurar as chaves de casa na parte de dentro da porta, perto da máscara facial, não vá alguém tocar à campainha e eu ter de interagir com rapidez.

Num destes dias, tocaram da rua e tive de descer prontamente, chaves na mão, mas por esquecimento, sem máscara.

Logo o benjamim, ma apontou, para eu a colocar.

As crianças são mesmo umas esponjas, absorvem tudo, à sua volta. Mas o que irá ser destas gerações, esmagadas desde que nasceram com tais cuidados e proteções?

Olhares de espanto

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Espantados ficaram muitos portugueses com a entrevista do Ministro de Estado e da Economia, Siza Vieira, ao jornal americano New York Times, quando refere que o aumento dos casos de covid em Portugal se ficou a dever aos encontros natalícios e de fim de ano dos portugueses.

A culpa é dos portugueses que gostam de ficar infetados. Só pode ser.

E o governo não assume nada, quando fez uma meia quarentena a brincar? E o próprio ministro que apareceu contagiado em meados de janeiro, provavelmente também terá andado em convívios festivos, não? Dizem que foi por contágio do ministro das Finanças, mas como saber.

Como pode um ministro português, no meio de uma crise pandémica terrível, lembrar-se de dar uma entrevista a um jornal estrangeiro a dizer mal do seu país.

É mesmo de ficar espantado com esta falta de vergonha.

 

As vacinas e as suas prioridades

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As vacinas contra o temível covid 19 são ainda escassas. Compreende-se que a sua distribuição obedeça a critérios rigorosos. Primeiro os médicos e o pessoal de saúde. Compreende-se. 

Mas aqui começam as disparidades. Se nos hospitais públicos a maioria do pessoal de saúde já concluiu a sua vacinação ou está em vias disso, nos hospitais fora do SNS este objetivo está ainda longe e não sei mesmo, se já foi iniciado. 

Contudo os hospitais privados já estão a receber e a tratar doentes com covid. 

Serão os médicos e o pessoal de saúde destes hospitais menos importantes, menos vulneráveis ou mais saudáveis? 

Há muita coisa nesta pandemia que não se compreende.

A mesa da Luisa

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Começou há semanas um novo programa na Sic Mulher, que se chama «Mesaluisa».

A protagonista é uma senhora de longos cabelos cinza, Luísa Vilar, que gosta de cozinhar e de conversar.  Vemo-la ir às compras ao mercado da Ribeira, voltar para o seu atelier cozinha, e aí começar a preparar o almoço, para si e cerca de dois convidados. A refeição serve como pretexto para conversas várias, sobre a vida das visitas ou temas da atualidade.

O original deste programa é a revelação de velhas receitas de família ou de antigos livros de cozinha, em tempos em que a comida não abundava nas mesas de muitos portugueses, em que se comia sobretudo em casa, não havia «fast food» e os restos das refeições eram reaproveitados em novos pitéus, ou numa singela sopa de tudo. Por outro lado, a confeção dos cozinhados é explicada de forma simples e adaptada aos produtos e quantidades mais atuais.

A iniciar um novo período de confinamento,  em que se prevê muita refeição entre as quatro paredes, aqui está um programa que nos pode servir de inspiração.

Pessoas normais

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Pediram-me num destes dias, que indicasse um dos melhores livros do ano.

Puxei pela cabeça e lembrei-me do romance da irlandesa Sally Rooney, «Pessoas Normais», talvez não, por o considerar «o melhor», mas pela inquietação profunda que consegue transmitir. A vida complicada de dois adolescentes normais, Connell e Marianne, namorados, desavindos  e namorados outra vez, numa escola normal de uma cidade irlandesa. 

Trata-se de um mergulho nas inseguranças e angústias da adolescência. Muita bebida, muito sexo, muita violência e estupidez, muitas famílias e cabeças desestruturadas. Enfim, muita tristeza e solidão. 

Tudo numa linguagem direta, sem artificialismos literários, em que o realce é dado aos diálogos dos protagonistas.

Esta novela foi também adaptada a série televisiva. 

Com boas leituras vos deixo.

Resiliência

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Apanhados no turbilhão desta pandemia, ainda longe do seu fim, lições de resiliência são muito bem vindas.

Foi o que me surgiu com o exemplo de vida da procuradora Maria José Morgado, com quem tenho tido o privilégio de privar ao longo de décadas. Dona de uma carreira com mais de 40 anos no Ministério Público, retira-se no final deste ano das suas funções. Lúcida e assertiva reconhece a pandemia de corrupção que grassa no nosso país como um inimigo sem rosto, um dos maiores perigos das democracias, cujas vítimas somos todos nós e que urge continuar a combater intensamente. 

Assim houvesse mais Marias, lutadoras e resilientes.

Os símbolos idos

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Fui buscar o meu neto à creche e a educadora na troca de mensagens rápidas por entre as máscaras e com o devido distanciamento, anunciou orgulhosa, «Hoje na sala estivemos a fazer coisas de Natal». «O presépio?» perguntei. «Não, a árvore de Natal.»

Claro, pensei depois, o mais importante agora é a árvore e as bolas e as luzes. Quem é que  perderá tempo a explicar a uma criança a simbologia de uma família, sem abrigo, alojada num curral, numa noite fria?  

Em tempos, participei numa visita guiada à Igreja Paroquial da Ericeira, Igreja de São Pedro, com um belo interior com painéis alusivos à vida do Santo. Num desses painéis vê-se um galo, símbolo este da traição de S.Pedro. E o jovem guia, que tão bem tinha explicado as origens e a história do monumento, comenta a pintura, dizendo, «está aqui um galo, porque nesse tempo era uma refeição comum». Expliquei então o sentido da representação, relacionada com a negação do Santo, quando Cristo lhe disse antes da paixão, «Nesta noite antes que o gale cante, três vezes me negarás.» E assim aconteceu, segundo os Evangelhos. Interpelado três vezes, Pedro respondeu sempre que não conhecia Cristo. E após a sua ultima negação ouviu-se o cantar do galo.  E Pedro chorou então as lágrimas tristes da sua traição. 

É evidente que o guia nunca tinha ouvido esta história, bem como a maioria dos participantes da visita.

Nem esta história, cristã é certo, nem outras histórias, de outras origens ou não, porque as histórias dão trabalho a contar a ler e a descortinar.

Mais fácil é colocar as luzes num arremedo de pinheiro de plástico.

E assim se vai perdendo o conhecimento dos símbolos das nossas culturas. 

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