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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

A mesa da Luisa

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Começou há semanas um novo programa na Sic Mulher, que se chama «Mesaluisa».

A protagonista é uma senhora de longos cabelos cinza, Luísa Vilar, que gosta de cozinhar e de conversar.  Vemo-la ir às compras ao mercado da Ribeira, voltar para o seu atelier cozinha, e aí começar a preparar o almoço, para si e cerca de dois convidados. A refeição serve como pretexto para conversas várias, sobre a vida das visitas ou temas da atualidade.

O original deste programa é a revelação de velhas receitas de família ou de antigos livros de cozinha, em tempos em que a comida não abundava nas mesas de muitos portugueses, em que se comia sobretudo em casa, não havia «fast food» e os restos das refeições eram reaproveitados em novos pitéus, ou numa singela sopa de tudo. Por outro lado, a confeção dos cozinhados é explicada de forma simples e adaptada aos produtos e quantidades mais atuais.

A iniciar um novo período de confinamento,  em que se prevê muita refeição entre as quatro paredes, aqui está um programa que nos pode servir de inspiração.

Pessoas normais

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Pediram-me num destes dias, que indicasse um dos melhores livros do ano.

Puxei pela cabeça e lembrei-me do romance da irlandesa Sally Rooney, «Pessoas Normais», talvez não, por o considerar «o melhor», mas pela inquietação profunda que consegue transmitir. A vida complicada de dois adolescentes normais, Connell e Marianne, namorados, desavindos  e namorados outra vez, numa escola normal de uma cidade irlandesa. 

Trata-se de um mergulho nas inseguranças e angústias da adolescência. Muita bebida, muito sexo, muita violência e estupidez, muitas famílias e cabeças desestruturadas. Enfim, muita tristeza e solidão. 

Tudo numa linguagem direta, sem artificialismos literários, em que o realce é dado aos diálogos dos protagonistas.

Esta novela foi também adaptada a série televisiva. 

Com boas leituras vos deixo.

Resiliência

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Apanhados no turbilhão desta pandemia, ainda longe do seu fim, lições de resiliência são muito bem vindas.

Foi o que me surgiu com o exemplo de vida da procuradora Maria José Morgado, com quem tenho tido o privilégio de privar ao longo de décadas. Dona de uma carreira com mais de 40 anos no Ministério Público, retira-se no final deste ano das suas funções. Lúcida e assertiva reconhece a pandemia de corrupção que grassa no nosso país como um inimigo sem rosto, um dos maiores perigos das democracias, cujas vítimas somos todos nós e que urge continuar a combater intensamente. 

Assim houvesse mais Marias, lutadoras e resilientes.

Os símbolos idos

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Fui buscar o meu neto à creche e a educadora na troca de mensagens rápidas por entre as máscaras e com o devido distanciamento, anunciou orgulhosa, «Hoje na sala estivemos a fazer coisas de Natal». «O presépio?» perguntei. «Não, a árvore de Natal.»

Claro, pensei depois, o mais importante agora é a árvore e as bolas e as luzes. Quem é que  perderá tempo a explicar a uma criança a simbologia de uma família, sem abrigo, alojada num curral, numa noite fria?  

Em tempos, participei numa visita guiada à Igreja Paroquial da Ericeira, Igreja de São Pedro, com um belo interior com painéis alusivos à vida do Santo. Num desses painéis vê-se um galo, símbolo este da traição de S.Pedro. E o jovem guia, que tão bem tinha explicado as origens e a história do monumento, comenta a pintura, dizendo, «está aqui um galo, porque nesse tempo era uma refeição comum». Expliquei então o sentido da representação, relacionada com a negação do Santo, quando Cristo lhe disse antes da paixão, «Nesta noite antes que o gale cante, três vezes me negarás.» E assim aconteceu, segundo os Evangelhos. Interpelado três vezes, Pedro respondeu sempre que não conhecia Cristo. E após a sua ultima negação ouviu-se o cantar do galo.  E Pedro chorou então as lágrimas tristes da sua traição. 

É evidente que o guia nunca tinha ouvido esta história, bem como a maioria dos participantes da visita.

Nem esta história, cristã é certo, nem outras histórias, de outras origens ou não, porque as histórias dão trabalho a contar a ler e a descortinar.

Mais fácil é colocar as luzes num arremedo de pinheiro de plástico.

E assim se vai perdendo o conhecimento dos símbolos das nossas culturas. 

As decisões do Ministério da Saúde

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Estamos todos a atravessar um período negro, muito negro mesmo e sem fim à vista.

Vou agora falar da decisão do Ministério da Saúde, que este ano, determinou que a vacina da gripe seria ministrada pelos Centros de Saúde.

Ou seja, as farmácias deixaram de receber as quantidades que costumavam receber e os interessados foram aconselhados a marcar dia e hora no respetivo Centro.

Tudo isto poderia na verdade funcionar. 

Mas não funcionou. Avisaram-me agora que a minha vacinação marcada há semanas, para a próxima segunda feira, foi desmarcada sem qualquer previsão de nova data.

Telefonei para a farmácia, continuam sem receber as vacinas e não sabem quando, ou se, as receberão.

E estamos nisto. As novidades implementadas num ano tão difícil produziram estes resultados. Fizeram as marcações sem saber se dispunham do medicamento e agora em cima da hora, descobriram que afinal já não há, nem ninguém sabe se tornará a haver.

São estas as boas decisões da Saúde. Mais um sapo que temos de engolir neste caos.

 

 

O pensar diferente do Papa Francisco

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Às vezes sentimos passar por nós uma lufada de ar fresco, mesmo nos momentos mais escuros, como aquele em que nos encontramos, atordoados com a pandemia.

Ouvir um Papa dizer que os homossexuais também são filhos de Deus e que merecem o apoio das leis, no caso de constituírem família, é uma novidade inaudita para muitos. 

Glória a Deus nas alturas, será caso para dizer.

Por outro lado, assistir a uma missa de sétimo dia, numa igreja do distrito de Lisboa com lugares separados e marcados, com álcool gel na entrada e na saída, mas com os fiéis aos molhos a atropelar-se ao avançar para a comunhão, parece coisa mesmo a querer chamar o covid. Não poderiam as igrejas combinar com os paroquianos, uma forma diferente de partilhar a comunhão? Cada um trazia uma hóstia ou um bocadinho de pão de casa, que era depois abençoada pelo padre, em conjunto, e depois seria ali consumida no momento certo. 

Afinal a fé é que nos salva.

Mas pronto, já sei que vou ser considerada ímpia por muito boa gente.

Distanciamento

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O ser humano não fica propriamente feliz com o distanciamento social imposto. As pessoas  gostam e precisam de conviver.

No outro dia, assisti a uma mãe a explicar às suas crianças, regras de comportamento seguro no relacionamento com os outros.  Dizia a senhora, «vocês podem andar no jardim e brincar livremente desde que abrindo os braços não toquem em ninguém». 

E lá iam os meninos divertidos a correr por entre as árvores, de braços esticados, como asas de avião, procurando não tocar nas outras pessoas.

É uma regra simples que qualquer um entende, mas que por vezes não se adapta às ruas e vielas estreitas dos centros históricos das nossas cidades. Aí será mais simples cada um virar-se de costas e seguir rentinho à parede. Mas será impossível adaptar este comportamento aos transportes públicos lotados.

A fábrica de loiça de Sacavém

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Qual o português ou portuguesa, que não se lembra de ver, nas casas dos avós ou dos pais, ou até de possuir, uma peça, ou mais, da famosa loiça do cavalinho? Havia pratos, terrinas e chávenas em diversas cores e com diferentes motivos, mas o mais conhecido era sem dúvida, o cavalinho. Além da loiça doméstica foram também produzidas loiças sanitárias e azulejaria.

Recordo igualmente um dos populares slogans da altura, «Sacavém é outra loiça.»

Hoje, muitas destas peças são disputadas por bons preços, por colecionadores.

Mas a fábrica que surgiu em 1850, acabou por ser declarada falida em 1994, tendo os seus bens sido vendidos em hasta pública, entre os quais os muitos hectares de terreno onde se inseria, que deram origem a uma nova urbanização em Sacavém . 

Resta-nos agora o Museu de Cerâmica de Sacavém, que cresceu por iniciativa da Câmara de Loures, no local e em torno de um dos seus antigos fornos e onde se pode apreender um pouco da história da fábrica e ver ou relembrar algumas das diferentes decorações.

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Crime de propagação de doença contagiosa

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Andar na rua ou nos transportes, sabendo-se ou suspeitando-se infetado com doença contagiosa, é pelo direito penal português, crime punido com prisão.

Que isto fique muito claro, que bem precisa de entrar nas nossas cabeças.

E que dizer de uma família de três pessoas, pai, mãe e filha menor, que sabendo-se contagiados com o novo coronavírus, mas sem sintomas, decidiram mesmo assim, embarcar no avião, de Luanda até Lisboa, rasgando as análises e fazendo de conta que com eles estava tudo bem?

E como deixam desembarcar nos nossos aeroportos, passageiros vindos de zonas com elevadas taxas de infeção, sem  análises prévias de covid, sem análise na hora, ou sem quarentena?

Brincamos é?

Regresso à escola na pandemia

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O verão está dar as últimas e o ano escolar vai recomeçar esta semana, com aulas presenciais. Penso que alunos e professores tenham sentido a falta da presença física nas aulas e nas escolas.

Mas imagino como deve ser difícil aguentar a ansiedade deste regresso para as famílias, para os professores e auxiliares. E então para os alunos? Ainda pior com certeza. Para além do uso obrigatório de máscara, que só por si, dificulta o reconhecimento de expressões faciais, ainda temos de transmitir às crianças o conceito de distanciamento, e a proibição de tocar ou partilhar objetos. E também para os adolescentes, na idade dos desafios e dos namoricos, com a sua apetência para os habituais segredinhos e risadinhas entre grupos.  E  para todos ainda a preocupação do cumprimento das regras de higiene, da lavagem das mãos e da desinfeção regular.

E quanto à ausência ou limitação dos recreios, e da atividade física ou desportiva, que era o melhor momento do dia para muitos estudantes, pela  libertação de tensões ?

Muitos sacrifícios são pedidos. Esperamos e desejamos que as coisas corram bem para toda a comunidade educativa, que vai ser posta à prova neste novo ano letivo. 

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