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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Os novos talhos de bairro

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Numa rua estreita a subir ou a descer, conforme a perspetiva, houve em tempos um talho em que a clientela se amontoava, sobretudo aos sábados de manhã, para ser atendida.

Era o dono, quatro filhos também talhantes e ainda a mulher nos pagamentos e nos sacos de plástico.

Houve em tempos, digo, porque fechou há anos  e o espaço está desde essa altura para venda.

Os supermercados, a diminuição do consumo de carne, ou os novos hábitos alimentares, puseram fim ao negócio.

Abriu agora no bairro um talho destes modernos, com outra apresentação, carne toda trabalhada, pronta a meter no forno, rolos disto e daquilo, hamburgueres recheados de tudo, rápidas entregas em casa e pedidos «on line» ou pelo telefone.

Tempos muito mais fáceis estes, muito mais escolha e rapidez, da qualidade menor ou maior, não falo, porque desconheço.

Ele não merecia isto

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Ele não merecia nada disto, o país devia-lhe apenas gratidão e reconhecimento. 

Mas usarem o seu nome apontando-o para um alto cargo militar e depois virem com desmentidos, equívocos ou lá o que lhe queiram chamar, é coisa que não se faz.

Ele, já adivinharam com certeza, é o almirante Gouveia e Melo. O cargo era o de Chefe de Estado Maior da Armada.

Lugar ocupado, por outrem, com nomeação recente, aliás da competencia do Presidente da República. 

Dá para entender a razão deste enxovalho? Dá para entender alguma coisa desta história?

Dá para entender porque não há qualquer demissão no governo?

Continuo a pensar que a vergonha é coisa que faz falta a muito boa gente.

 

Tap survey

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Ando há muito a ser perseguida pela TAP. Metaforicamente falando, claro. Tudo isto começou com uma viagem marcada para Budapeste, ainda antes da pandemia. Foi desmarcada, cancelada, mas nada de reembolsos, recebi sim um voucher, e finalmente este ano, fui informada de que o tal voucher ou era usado ou desapareceria.

Bem, toca de usar o voucher. Açores, ilhas maravilhosas no meio do oceano, que com chuva ou sem ela, nunca nos desapontam.

Os aeroportos subdimensionados transbordam. Máscaras sempre nas focinheiras. Para além dos controlos habituais e quase esquecidos, há agora também o controlo sanitário. 

E porque me sinto então perseguida pela TAP? Primeiro porque não devolveu o valor dos bilhetes, quando outras companhias o fizeram sem demora. Depois porque os lugares são apertados, e eu sou de tamanho pequeno, mal se podem mexer as pernas ou as costas, não há revistas, filmes, e a comida é muito má e muito cara. Vá lá, parece que oferecem copos de água, mas a pessoa fica sempre com medo que nos venham cobrar cinco euros em cartão, pelo tal copo de água. Depois enviam questionários para o email de cada passageiro a perguntar se recomendariamos a viagem, o dito TAP survey.

Contudo, os aviões continuam a voar com uma frota de pessoal, talvez cinco «aeromoças e ou aeromocos», que, como é evidente, não tem nada para fazer.  Vi alguns a comer nas traseiras do avião, e pergunto quais são as entidades patronais que fornecem refeições aos seus trabalhadores?

A TAP vive em grave crise financeira. Sabemos, pois o seu sustento, sai há demasiados anos dos impostos dos portugueses, mas serve exatamente para quê, alguém consegue explicar? 

Bem ou mal dizer

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O fecho de uma malinha pequena de levar ao ombro, que usava quase todos os dias, desde a sua compra, rebentou.

Na verdade, por vezes usava-a bem cheia e o fecho de correr era forçado.

Como gostava muito da mala, corri para a loja da compra, pensando que mo poderiam arranjar.

Não podiam, não senhor. Não faziam reparações. Mas assumiam o estrago como um defeito de fabrico.

Podiam era substituir a mala. Ora, como já não havia o mesmo modelo, saí de lá com uma mala nova. 

E só para concluir, acrescento tratar-se da Parfois.

 

A ida à praia de antigamente

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Lembrei-me de uma cena da minha meninice, que talvez só os da minha geração entenderão. Durante alguns anos, ia com a minha irmã e a minha mãe para a praia de Carcavelos, durante a semana, nunca aos fins de semana, por, como se dizia,  haver mais confusão. Íamos de carro, de boleia com uma tia minha, mais nova e mais avançada do que a minha mãe, que tinha carro e conduzia.  Na altura, ela era mãe de dois rapazes, meus primos, mais velhos do que eu, e era nessa viatura que matinalmente viajávamos para a praia. Ou seja, duas adultas à frente e quatro crianças no banco de trás.

Não me lembro da marca do carro, era assim para o baixote e largo, um carro da época, mas cabíamos lá todos.

A minha tia veio ainda a ter mais uma menina, que também seguia na sua alcofa para Carcavelos.

Alugava-se uma barraca às riscas, e ainda me lembro da minha tia aí se recolher para dar de mamar à bebé.

Havia dias em que aparecia também uma outra tia minha, mais outros primos e respetiva prole.Era uma alegria.

Passava regularmente a senhora dos bolos, com bata branca e uma caixa de madeira à cabeça para o transporte da doçaria, mas os bolos eram racionados para as crianças, o que queria dizer que não os podíamos comer todos os dias, era só de vez em quando, talvez um dia por semana. De resto era pãozinho levado de casa, com algum conduto, água e fruta. Saudosa e abençoada regra esta. Mas também a praia era só de manhã, almoçava-se depois em casa, qualquer coisa que a minha mãe tinha pré preparada. 

Agora o que acho espantoso, era como cabiam cinco crianças e duas mães, num veículo utilitário. Claro que não havia cintos de segurança, nem cadeiras para crianças, especiais e espaciais, digo eu, pelo espaço que ocupam.

A barreira da EMEL desta vez

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Pois desta vez, e este ano só tenho a dizer bem da nossa EMEL. Pedido «on line», o dístico de residente para o estacionamento do carro, com alguma antecedência, a pensar já nas demoras habituais, fui muito surpreendida quando o recebi, a tempo e horas na caixa do correio. 

E sem pagar nada, talvez por ser ano de eleições, não faço ideia.

Quando há a dizer bem, então que se diga bem.

https://apatricio.blogs.sapo.pt/a-barreira-da-emel-102433

 

O trabalho que a sorte dá

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Ter sorte, sem ter «mesmo um golpe de sorte», costuma dar muito trabalho. Muito esforço, muito suor, muitas lágrimas. 

Que o digam os nossos grandes atletas. Os medalhados, os das botas de ouro,  os olímpicos, os que se superam todos os dias, anos e anos a fio, por mais um centimetro, por mais um milésimo de segundo. Que o diga a nossa Patrícia Mamona, que entrou ontem, aos 32 anos e após 20 anos de treino, para o grupo restrito do triplo salto dos 15 metros, quando todos lhe diziam que era muito baixinha para o conseguir. 

Consegue voar, linda e maquilhada, e com ela voamos também todos nós. 

Tudo o que eu quero?

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«Tudo o que eu quero?» é o nome de uma exposição de artistas portuguesas de 1900 a 2020, patente desde 2 de junho e até 23 de agosto, na Galeria da Fundação Gulbenkian. 

São várias as artistas representadas, que se fizeram ouvir e reconhecer numa sociedade e num tempo que lhes era adverso.

Se nos lembrarmos que o padrão dos descobrimentos conta apenas com uma figura feminina, neste caso a mãe do Infante Dom Henrique, a rainha Dona Filipa de Lencastre, vemos como as mulheres estiveram afastadas da narrativa. 

Para muitas mulheres existia um lugar vazio na sociedade portuguesa, elas simplesmente não estavam lá.

Porém, há talvez cerca de um século, algumas começaram a ter voz, a expressar-se ou a auto retratar-se, como tão bem soube fazer Aurélia de Sousa.  E daí até à ousadia de Joana Vasconcelos, com o seu enorme lustre ou véu de noiva, feito de tampões higiénicos, claro que não foi um passo, foram muitos passos, muitos anos e muitas lutas.

Como diria Maria Lamas, são mulheres do meu país.

Na rua

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Nunca tinha visto estes pequenos autocolantes nos empedrados dos passeios de Lisboa. Mas achei-os muito a propósito. 

Em alguns bairros com ruas estreitas, passeios escorregadios e esburacados e pejados de porcaria, andar na calçada é uma aventura. Ora cada vez há mais animais domésticos na cidade.

Bem haja por isso a quem colocou estes avisos.  Na verdade, nas zonas assinaladas não encontrei as sujidades  habituais.

«Amor de cão sim. Caca na rua não.»

O pica miolos

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O caso de agressão ou «bullying», de um jovem de 13 anos, por colegas, numa escola do Seixal, que terminou no atropelamento do mesmo, é mais um terrível caso de violência vivida em meio escolar.

Sem contudo, querer diabolizar ninguém, não me parece aceitável qualquer justificação para o caso.

Referir como disse a mãe da agressora, que a vítima, «era um bocado pica miolos», não pode de maneira nenhuma servir de desculpa ou atenuante.

Ninguém, jovem ou adulto é obrigado a dar-se bem com todos. Mas correr aos gritos em bando desenfreado, atrás de um garoto indefeso e assustado e bater-lhe, o que é senão uma agressão ou uma violência? Acresce a isto o ser tudo filmado e partilhado pelos telemóveis, de que todos os miúdos usam e abusam.

Terá de haver muito trabalho nas famílias e nas escolas para que estes casos não se multipliquem. 

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