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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Artistas desconhecidas

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Gosto de quadros. Acho que, por vezes, uma pintura nos pode abrir a cabeça e transportar para outra dimensão. 

Vem isto a propósito do óleo reproduzido, que me chegou às mãos, por via familiar, uma natureza morta, ou  como dizem os ingleses, «still life», ainda vida, e cuja autora é exemplo da situação das mulheres no princípio do século 20. 

Num tempo em que as meninas educadas, tocavam piano e falavam francês, esta aprendera também a pintar. Gostava de o fazer, escolher os temas, as telas, as cores, desenhando flores ou objetos do quotidiano. Mas tinha pouco tempo, marido e seis filhos no total. Família recomposta, dizemos agora. Dois filhos dela, que enviuvara cedo, dois filhos do marido que era divorciado e dois filhos em conjunto. Na altura, esta situação, nem era muito comum. Mas cheguei a conhecer alguns filhos desta Adriana Soares que sempre me disseram, que os pais não faziam qualquer diferenciação de tratamento entre os irmãos.

Quando mais tarde, com os filhos criados, enviuvou de novo, e num tempo em que não havia qualquer proteção social, lembrou-se de pintar. Talvez pudesse fazer uma exposição, vender algum quadro e assim ganhar independência financeira e não pesar no orçamento dos filhos.

Sei que chegou a expor em Lisboa, mas não conseguiu vender nenhuma das obras, o que muito a entristeceu.

Por isso, as suas obras ficaram guardadas nas casas de familiares, que contavam a história e a recordavam com muito carinho.

 

O cágado e a liberdade

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Um meu antigo colega, pescador à linha nas horas vagas, quis oferecer um dia, aos meus filhos, então ainda crianças, três pequenos cágados.

Ao que me explicou, os cágados eram «pescados» agarrados ao isco, nos rios ou lagoas, por onde andava, sobretudo na zona saloia.

Dos três iniciais, já só nos chegaram dois, pois parece que um deles terá escapado no transporte.

Os meus filhos adoraram. Fomos a uma loja de animais, comprar um terrário e comida adequados.

E os bichos foram um sucesso, pelo menos durante alguns meses. Comiam, dormiam, mergulhavam e podiam andar de mão em mão.

Porém, um dos animais, começou a ter o que parecia ser uma infeção num dos olhos e depois no outro olho e apesar dos tratamentos indicados na loja, apareceu morto em pouco tempo.

Mas ao menos, ainda restava um. Eis senão quando, surge num dos olhos do sobrevivente, o que parecia ser a mesma inflamação.

Foi então, que falei com os rapazes, «se eles gostavam do bicho, mais valia devolvê-lo ao seu meio ambiente, onde pudesse crescer saudável, pois era a sua melhor hipótese de sobrevivência».

E assim fizemos.  E apesar dos anos, ainda hoje me lembro da reação do animal. Colocado no chão nas margens de um riacho, o Lizandro, parecia nem querer acreditar que estava a voltar à sua liberdade. Primeiro, mergulha com cautela a cabecita nas águas correntes e depois o corpo todo, e só então, suponho que satisfeito, se afasta para sempre a nadar rapidamente.  

E desta vez, não houve prantos nem lamurias por parte das crianças.

Açores, paraíso encantado

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Que os Açores são um paraíso encantador, os portugueses sabem e também cada vez mais estrangeiros, pois o turismo tem aumentado imenso nos últimos anos.

Mas o que mais custa a um continental a avaliar, são as dificuldades do dia a dia, resultantes do isolamento  e da insularidade.

Estou a falar do bonita ilha de S. Jorge, famosa, pelo seu apreciado queijo de leite cru das vacas de pasto, e pelas vistas para a Ilha do Pico.

Nesta ilha, que tem perdido população, as cerca de seis mil almas que restam, conhecem-se, pelo menos de família.

É normal deixar os carros abertos em todo o lado. 

Foi uma professora dar as suas aulas, ficando o seu carro aberto, e a carteira dentro do carro, como habitualmente.

Um dos miúdos da escola, pensa-se, não resistiu à tentação e tirou a carteira. Ficou com o dinheiro, mas o que fazer com a prova do furto?

Vai de a atirar ao mar.

Um velho pescador encontrou a carteira e mediante os documentos identificou a professora e foi entregá-la ao marido.

Anteriormente a senhora tinha ido à polícia participar o furto para obter novos documentos. Quando foi de novo à polícia informar que afinal a carteira tinha sido encontrada com os documentos, a polícia quis imediatamente ouvir o bom cidadão que tinha feito o achado.

E não é que, incomodado com tanta audição, o velho e quase iletrado pescador resmungava, que nunca mais iria entregar nada, a ninguém, se descobrisse mais alguma coisa, iria sim atirá-la bem para longe.

Cada vez mais lixo em Lisboa

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Nos últimos tempos, o lixo parece que ganhou vida própria e se reproduz em grande quantidade, na cidade de Lisboa. 

E não venham falar do aumento dos turistas, porque restos de obras, loiças sanitárias, colchões velhos e frigoríficos avariados, não têm a ver com turistas.

Eu sei que há muita obra e remodelação, por todo o lado. Mas também há muita falta de vergonha e pouco civismo. 

À volta de quase todos contentores, são frequentes imagens, como a de cima.

E por mais que os serviços municipalizados passem para limpar, que também não primam pela rapidez, mas no outro dia de manhã, a montanha está quase igual, transbordando para o passeio. Esta lixarada atrai gatos, cães, ratos e baratas, tudo em péssima convivência.

Ora isto não pode ser. A Câmara e as Juntas de Freguesia terão de ser mais ativas, quer com a divulgação de meios para remoção de monos, quer com as limpezas, quer com as coimas e multas em cima dos infratores.

Isto pela nossa saúde e bem estar. 

 

Companheiros de quatro patas

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Quando um companheiro de quatro patas entra nas nossas famílias, passa a fazer parte delas, para o pior e o melhor.

Entre o pior, estão os momentos de doença e de morte da bicharada. 

Com uma vida relativamente curta, em comparação com a vida humana, quase todos os donos passam por essa fase.

Convivi há tempos com uma amiga, que tinha o seu cão muito doente, sem hipótese de recuperação e a entrar em sofrimento. Falou com o veterinário, porque queria pôr fim àquilo. 

Combinaram o dia e a hora. Apesar de grande e pesado, (era um «husky»), aninhou-o o melhor que conseguiu nos seus braços e foi assim acarinhado, que o animal partiu em grande tranquilidade, segundo me contou. 

No fim, o veterinário disse-lhe: «Poucos são os corajosos donos que querem partilhar os últimos momentos com os seus animais.  Mas acredite, os animais parece que entendem que se trata da despedida, e aceitam-na melhor quando o dono está presente, e também para nós profissionais de saúde a situação torna-se muito mais fácil, com a presença deste.»

Para o Max, que tantas alegrias deu à sua família humana e para todos os donos em processo de luto, ou não, pelos seus companheiros.

Tomates e tomatinas

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O tomate é um fruto fresco, saboroso, decorativo e muito usado na gastronomia portuguesa, em cru nas saladas, ou cozinhado em molhos, caldeiradas, ou até em compotas. 

Qualquer nutricionista lhe dirá que o tomate é bom e faz bem à saúde. Pode-se gostar mais ou menos do tomate, ou mais assim ou mais assado.Tanto faz.

Agora acho muito mal, o desperdício de toneladas e toneladas de tomate numa festa sem raízes portuguesas, para ser atirado e estragado nas ruas de Almeirim, neste próximo sábado dia 1 de setembro, só para aparecer no mapa e imitar as festas espanholas, as famosas tomatinas.

Deixemos as tradições espanholas, em Espanha, pois não precisamos de as importar. Tradições e festas populares temos muitas e bem bonitas.

E sempre ouvi dizer que não se deve desperdiçar comida, porque o que sobra a alguns faz falta a muitos. 

 

Famílias e ambientes

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No outro dia entrei numa loja de produtos chineses, dirigida por uma família chinesa que mal fala português.

É daquelas que tem tudo, mas é preciso saber encontrar. Costuma haver umas empregadas brasileiras que ajudam os clientes, mas talvez devido às férias, as brasileiras tinham desaparecido.

Porém, sentados em duas cadeiras a uma pequena mesa, estavam uma adolescente chinesa a ajudar o seu irmãozito, a fazer os trabalhos da escola. Senhores, no pino do verão, em férias escolares.

A menina muito educada, levantou-se logo e ajudou-me a procurar o que eu pretendia, tudo num português correto. E lá voltou depois para junto do irmão e para os deveres de ambos.

Muitas destes jovens da comunidade chinesa são os melhores alunos das suas escolas. Os professores reconhecem amiúde, os seus êxitos escolares e o seu talento para a matemática. 

Vivem em famílias que incentivam o trabalho como um valor e crescem neste ambiente a acreditar na importância do esforço.

Ora, estas noções de esforço e reconhecimento estão muito ausentes nos nossos dias e seria muito bom para a sociedade, que não estivessem.

 

Limpezas e não só

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A minha máquina de roupa, idosa com mais de 20 anos, começou este ano a sujar a dita. Sobretudo a roupa branca ficava salpicada com resíduos e pequenas partículas cinzentas.

Que fazer?

Consultei peritos vários, nas drogarias e mercearias do bairro. Comprei diferentes drogas e experimentei. Mas a coisa continuava. Aconselharam-me então numa dessas lojas, como o melhor, este tal Tratax.

Lá o descobri numa drogaria da Baixa (S. Domingos), pois os supermercados e a maioria das lojas não têm nada disso.

E não é que resultou? Os resíduos foram-se e a roupa sai branquinha e impecável, como se a máquina fosse nova.

E não. Ninguém me pagou para fazer este« post».

O almoço das manas

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Acabámos de nos sentar à mesa para um almoço rápido e pouco frequente. Lá estavam os queijinhos frescos e a saladinha de tomate, o chá frio com rodelas de limão, tudo bem apetitoso.

Tocaram à porta. Levantei-me e fui atender. Era a vizinha do quinto que não conseguia tirar o carro da garagem pois a porta não abria. Fui lá abaixo. A porta não abria mesmo e também nem eu nem ela tínhamos connosco o comando do portão da garagem. Estavam os dois inacessíveis dentro dos carros.

Bem, porventura algum dos vizinhos da loja fosse gentil e conseguisse abrir o portão com o comando dele.

Assim foi.

De novo retomado o almoço e a conversa das manas.

Nova campainhada. Desta vez, era a senhora da limpeza do prédio, que tinha ficado sem conseguir entrar porque não sabia onde estavam as chaves. Talvez nalguma porta. Talvez na garagem.

Lá desci de novo. Procurámos as chaves. Estavam por dentro na porta da garagem. Eram elas que impediam que a porta abrisse por fora. 

Assunto resolvido e almoço e conversa retomados no ponto certo.

 

Festas de verão

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 Por todo o país há festivais e festas de verão. Aldeias e cidades, montes e praias, repetem anualmente rituais de música, gastronomia e alguns ainda uma vertente religiosa.

E há sempre público para todo o género destas festas. Os que trabalham marcam férias, os que vivem fora ou no estrangeiro regressam por uns tempos e os mais velhos ficam contentes por verem os seus e as suas terras animarem-se, ao menos uma vez por ano, pois que o Natal ainda vem longe.  

Mas todos se juntam orgulhosos da festa da sua terra, mesmo que a banda não preste e o tempo esteja mau.

Estes encontros e reencontros alimentam o sentimento de pertença tão português e sobretudo tão humano.

Pertencer a algum lugar, a uma tribo, a uma comunidade, a uma família, é dos desejos mais profundos de cada um.

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