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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Cidadãos e as suas lojas

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Os cidadãos são pisados e torturados nas famosas lojas do cidadão.

A burocracia esmaga-nos. Estas lojas concentraram a burocracia mas pouco fizeram para a aliviar.

O pior de tudo são as gigantescas e madrugadoras filas de espera só para se ter uma senha. Quase sempre com dezenas de números antes do nosso.  O que equivale a horas de espera, mas nem sempre garante o direito a chegar ao balcão pretendido e a ser devidamente atendido, porque muitas vezes ainda se ouve o, «pedimos desculpa, mas o sistema está em baixo.»

Ora o desafio seria, a possibilidade de serem distribuídas as famosas senhas de forma digital, mediante um pedido feito pelo telemóvel de cada interessado. Assim evitava-se o terror das filas a dobrar o quarteirão.

Reservavam-se as senhas presenciais para os info excluídos, ou para os balcões com pouca afluência.

E não será possível criar uma aplicação para isto?

O preconceito que vive dentro de nós

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Nasceu esta semana mais um bisneto da rainha Isabel do Reino Unido. A foto do menino com os pais e os bisavós em êxtase de grande felicidade, como é natural nestas ocasiões, foi amplamente divulgada.

Nessa foto, ao lado da mãe, aparece uma senhora de pele escura. Ao olhar distraidamente para a imagem, perguntei-me quem seria. Certamente alguma ama do palácio, pensei.

Que vergonha. Só depois me apercebi da evidência, tratava-se da avó materna do recém nascido.  

Contudo, depois desta reação, fiquei a pensar, na verdade, como é difícil extirpar o  juízo pré-concebido.

Acordo e desacordo ortográfico

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Há quem goste de brincar com coisas sérias. A língua portuguesa falada por mais de 280 milhões de pessoas em todo o mundo, devia ser um assunto para ser tratado de forma já não digo séria, mas pelo menos sensata. 

Sim senhor, as línguas não são estáticas, são feitas no dia a dia pelos seus utilizadores, sim senhor, que se simplifiquem e unifiquem. Mas esqueceram que as línguas evoluem constantemente e mais do que as grafias, as palavras mudam, consoante os locais.  Em Portugal dizemos «remoinho de água», porém num recente livro brasileiro encontrei a bonita expressão «rodamoinho de água.».

Agora depois de um acordo assinado, e impingido como obrigatório em Portugal, lembraram-se, mentes ilustres, de voltar atrás.

Afinal, em que ficamos?  Cada vez me lembro mais da minha tia Maria, antiga professora primária nascida no final do século 19, que até ao fim da vida escrevia «mãi», porque dizia ela, era assim que tinha aprendido. 

Ora, para além de todos os que se esforçam por falar e escrever corretamente a língua portuguesa, ai, neste momento,  pobre de quem ensina e pobre de quem está a aprender a língua.

 

E por falar em supermercados

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Anda por aí uma campanha publicitária da marca dos supermercados Continente. Tenho reparado nela nas estações do Metro lisboeta. E tenho reparado sobretudo por a achar um desastre visual.

Os muitos produtos que se pretendem destacar e alguns bem merecedores de destaque pela sua qualidade, ali estão retratados, amontoados em cima uns dos outros, numa foto feia, mal iluminada e sem graça nenhuma.

Penso que a maioria dos portugueses tem uma boa imagem das muitas lojas Continente e de alguns dos seus produtos. Imagem que a campanha não reflete.

Senhores criativos,  para a próxima, esforcem-se mais.

Coisas da Páscoa

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Recai em cima das mães ou avós a tarefa de conseguir reunir a prole nos dias comemorativos, tal como o domingo de Páscoa. Assente a ideia e aceites os convites, já se sabe que a dita prole se vai sentar à mesa com apetite e aí começa a segunda dificuldade do processo. A ementa. Quem gosta, quem não gosta, quem come, quem não come. 

Daqui resulta também profunda reflexão sobre o que se pode fazer em casa ou encomendar fora.

E é aqui que eu quero chegar. Desta vez, tentada por um folheto, recorri ao Pingo Doce. E gostámos todos. Foi uma boa experiência, cabrito assado, com batatinhas, migas e semifrio de limão. Este último foi votado pelos mais novos, que nem sempre são os mais gulosos, como a melhor sobremesa do dia. E havia várias, posso acrescentar.

E aqui fica a dica. E sublinho ainda, que ninguém me pagou para dizer isto. 

 

 

As catedrais também ardem

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As antigas catedrais começaram por ser edificadas em pedra, mas ao longo dos muitos séculos reuniram belos interiores em madeiras, nos seus cadeirais, tetos, órgãos e estátuas.  E ardem. Ardeu a nossa Igreja de São Domingos, na baixa de Lisboa, em 13 de Agosto de 1959. Foi reaberta ao culto, mas conserva ainda traços escurecidos da devastação que sofreu nas paredes agora despidas. Mesmo enegrecida surpreende-nos imponente,  mostrando-nos as suas feridas.

Também Londres cidade, ardeu quase toda nos primeiros dias de Setembro de 1666, mais os seus monumentos e catedrais, incluindo a Catedral de São Paulo, tendo sido depois edificada com as linhas que ainda se mantêm.

Ardeu esta segunda feira no centro da Europa, em Paris, a Catedral de Notre Dame. Desejamos que rapidamente seja reconstruida com respeito pelos seus  mais de 8 séculos de história. 

Amesterdão

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Tive a sorte de rever Amesterdão, ou Amsterdam, como eles dizem, ou «I Am Sterdam», como mencionam os cartazes turísticos,  num destes fins de semana. Frio, vento, chuva e humidade. Museus. Muita gente em todo o lado, muitos turistas, muitos «trolleys», muita gente nova, talvez atraída pela liberdade de costumes, sexo e drogas. Cheiro a marijuana em vários locais. E um mar imenso de bicicletas. Silos para guardar bicicletas na Estação Central.

Andar na rua é ter muita atenção aos carros, aos outros peões, aos «trams», ou elétricos rápidos, mas sobretudo às bicicletas, que aparecem velozes e silenciosas de todos os lados e tanto podem respeitar ou não, os semáforos para viaturas como para os transeuntes. 

Muitas lojas ou restaurantes anunciam não aceitar pagamentos em dinheiro, apenas com cartões de crédito. Porquê? Para maior transparência, para facilitar os trocos, para evitar roubos ou enganos? 

Não sei. Mas o «big brother», ou a cobrança de impostos, anda por todo o lado, isso sabemos.

No entanto, numa sociedade tão regulamentada, fiquei muito admirada quando num restaurante italiano bem central, mas nas mãos de indianos ou paquistaneses, a conta nos chegou no final rabiscada à mão, numa folhita de papel. 

Contradições do norte da Europa. 

Igualdades ou talvez não

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Duas jovens, desciam a Avenida da Liberdade, numa destas tardes ensolaradas. Ténis e calças de ganga justinhas, cabelos soltos pelos ombros. Dizia a  mais gordinha para a outra, «Eu não quero nenhuma relação séria, mas também não quero nenhum caso de uma só noite, o que eu quero é um gajo para f...». Assim, alto e bom som, com todas as letras que não se repetem aqui.

Muito nos avisaram as nossas mães e avós contra os «fulanos que só queriam aproveitar-se das meninas e não tinham intenções sérias», mas agora são as meninas que, por via da igualdade, ou por outras vias, se encontram no mesmo patamar.

Ao menos que haja coincidência de vontades.

Que mal fica a igreja católica na fotografia

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Fui educada como católica e hoje posso dizer que sou uma «católica pouco convicta», mas que guardo o devido respeito ao sentido da religiosidade e sobretudo acredito na máxima, «a fé consegue mover montanhas». 

Mas as recentes revelações de práticas repetidas de abusos sexuais e pedofilia na igreja católica,  fazem gelar o mais profundo de cada um de nós.

Fica por terra a pretensa superioridade da religião católica, e só posso dizer que muito mal se sai a igreja nesta fotografia. 

Sobre a investigação de tais denúncias e afastamento e punição dos culpados, temos de aceitar que mais vale tarde do que nunca. Agora continuar a defender o celibato dos padres e não aceitar a ordenação das mulheres, parece uma enorme falta de visão sobre este problema.  

Crianças e ar livre

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Sabemos que o desenvolvimento das crianças e das suas capacidades motoras beneficia com as brincadeiras na rua ou ao ar livre. Mas um estudo recente da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa, constatou que em comparação com grupos etários da mesma idade, as crianças norueguesas brincam muito mais no exterior do que as crianças portuguesas, isto quer no inverno quer no verão.

Parece impossível, não é. Ora, entre as principais razões pelas quais os pais justificam as poucas  brincadeiras no exterior, estão o receio de estranhos e do trânsito. O primeiro medo deve ser comum a quase todas as culturas, recear que alguém faça mal aos pequenitos ou que estes se percam, mas o perigo do trânsito, parece-me bem justificável e muito português.     

São também as crianças portuguesas as que são mais transportadas de carro para a escola.

Ou seja, os pais portugueses, para além de cumprirem extensos horários de trabalho que não devem passar pela cabeça de um norueguês, devem ser os que mais longe vivem das escolas, enfrentando ainda dificuldades de transporte para levar e recolher os filhos. 

Assim, enfiados em extensas viagens de carro, casa, escola, trabalho, como podem estes pais ainda ter tempo e disposição para deixar (e vigiar), os infantes a brincar ao ar livre? Resta a esperança de que as escolas tentem  compensar isto, incentivando os desportos e corridas nos pátios exteriores.

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