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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

A barreira da EMEL

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Com a pandemia alguns serviços públicos pioraram, e muito, disso não tenhamos dúvidas. 

Ando há meses, desde o desconfinamento, a tentar renovar o dístico de residente para o meu carro.  Sem qualquer sucesso. Tentei pelo telefone, por emails, cheguei a ir lá pessoalmente para me agendarem o dia e hora de atendimento, continuo a tentar repetidamente pela plataforma e nadinha. Surgem sempre umas respostas simpáticas, que serei contactada em 24 horas, que o meu pedido foi submetido com sucesso, que me deixam sempre esperançada, mas nada se concretiza.

Verifico que não estou sozinha neste percurso. No artigo de opinião do Expresso, desta semana, Clara Ferreira Alves relata a mesma experiência.

Talvez a EMEL tenha desaparecido, penso eu. Qual quê, os fiscais andam por aqui bem cedinho. Para as multas funcionam.

Vita brevis

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Vida breve. Perdi hoje a minha amiga, confidente e ainda cunhada, a pintora Maria Beatriz, com quem tive a sorte de privar por mais de quarenta anos.

Faleceu aos 80 anos em Amesterdão, cidade onde vivia desde os anos 70, na sequência de uma doença prolongada.

Deixou-nos muitas obras, algumas presentes na coleção da Fundação Calouste Gulbenkian.

Partilhámos juntas muitos momentos e histórias das nossas vidas, em Lisboa, na casa da  mãe dela, ou na minha, em Sintra no seu pequeno estúdio,  no seu apartamento no centro de Amesterdão e na Ericeira, destino de férias conjuntas. Lembro-me de lhe ter perguntado como lhe tinha nascido o gosto pelo desenho. E  ela me ter respondido, «Sabes fiquei muito doente em criança aos 5 ou 6 anos e o tratamento indicado pelo médico foi ficar na cama. Ora, como se entretém uma criança na cama, difícil não é? Então recebi a visita do meu tio António com um presente, uma grande caixa de lápis de todas as cores. A partir desse momento os lápis, os pincéis e os papéis ou telas passaram a ser meus companheiros. Era fácil para mim criar um mundo diferente com aqueles materiais».

«Vita brevis»

 

O encerramento do parque infantil

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Os parques infantis foram encerrados em março com o agravar da pandemia, bem como quase tudo. Pedia-se às pessoas para não saírem de casa, a não ser em situações restritas.

Aos poucos, tudo ou quase tudo, começou a reabrir. Os centros comerciais, as lojas do cidadão e as creches também e estas ainda mais cedo.

E então porque continuam fechados os parques infantis, com as fitas vermelhas e brancas, a impedirem os acessos?

Acho que no meio da crise os responsáveis esqueceram-se simplesmente de mandar retirar as fitas que por lá foram colocadas.

O telemóvel novo

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Ficou mesmo contente, no dia em que chegou pelo correio o telemóvel novo. Bem, novo novo, não era, em segunda mão, lembrança de um amigo emigrante na América, onde dizia que as operadoras «ofereciam» regularmente aos seus clientes, aparelhos de nova geração.

Mas para ela, era como se fosse novo. Muito melhor que o seu «velhíssimo» e estafado telefone móvel, que mais lhe parecia agora a aldraba da porta. Estava devidamente desbloqueado, era só começar. Mas foi por essa altura, que começaram também as dúvidas.

A viver fora de uma cidade, decidiu dirigir-se a uma loja Worten para, com um pouco de sorte e de paciência, receber algum apoio.

Estava então na fila de atendimento, com a máscara posta e o aparelho na mão, quando lhe surgiu pela frente um miúdo que avaliando a situação, lhe  perguntou o que ela pretendia.

Conversa puxa conversa, em poucos minutos ficou tudo instalado, as aplicações, o correio eletrónico e mais o que ela quis. 

Disse-me ela, «17 anos e conseguiu arranjar isto, num instante.» Concordámos ambas, «esse miúdo é precioso, melhor guardar o contato dele, porque nunca se sabe quando se pode voltar a precisar» .

A estufa fria de Lisboa

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Numa destas tardes fui passear para o parque Eduardo VII.  Não ia para aqueles lados há muitos anos. Pouca gente, mas o lago e os patos lá estavam a receber os visitantes.

Andava por ali na contemplação, quando verifico que um sujeito, talvez dos seus cinquenta, me seguia,  querendo fazer-se notado, surgindo ora por um carreiro ora por outro, sorridente e inoportuno.

Coisas estranhas, se passam por aqui.

Refugiei-me na Estufa Fria e pensei, grande parte da minha vida frequentei esta zona de Lisboa.  Andava no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho onde as professoras nos diziam para «nunca» atravessarmos o parque, por poder ser «perigoso» para uma jovem. Porém,  nos «entas», constatei que o perigo, ou a sua perceção, ainda por lá assoma.

Quando saí da Estufa verifiquei que o dito sujeito, estava sozinho dentro de um carro, à espera não sei do quê. Tristes vidas, de quem não tem mais nada para fazer, do que passar as tardes a importunar quem não gosta de ser importunado.

O regresso ao restaurante

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Uma emoção, uma aventura, o regresso ao restaurante favorito.

Primeiro verificar se «já» estão abertos. Depois arrebanhar os familiares e marcar mesa, na esplanada, bem melhor.

Depois os não esquecer os «tapa focinhos». Máscaras, digamos.

Vem a ementa, plastificada, escolhe-se, espera-se e saboreia-se.

Tudo «clean and safe».

Que delícia, o solinho a aquecer as costas e o resto a incendiar-nos a alma.

Ai prazeres de antigamente, postos de lado, e que retornam. As conversas e os risos  nas mesas partilhadas. Não queremos que nos fujam mais. Fazem muita falta.

 

 

 

 

Servir o público

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Há várias instituições e serviços que existem para servir o público. Quem precisa dirige-se aos mesmos com a intenção de obter um resultado, um serviço.

Está bem que estamos a viver numa pandemia, está bem que fomos aconselhados a ficar em casa, mas a partir do dia 18 de maio, contávamos começar a desconfinar.

Ora estando os serviços fechados, como obter ou alterar um dístico da Emel, para  estacionamento de viatura de residente, ou um leitor de via verde? O atendimento on line não resolve estas situações. 

Mas é que os postos de atendimento presencial continuam encerrados pelo menos até Junho, foi o que me disseram.

Mas multar podem multar, também me disseram.

O pagante que se lixe, mais uma vez. 

 

Crueldade

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Hoje acordei a cantarolar na minha cabeça, «Sebastião come tudo tudo tudo, Sebastião come tudo sem colher, Sebastião fica muito barrigudo e depois, e depois,  bate na mulher...»

Como é possível que esta cantilena horrorosa me tenha vindo à mente, não sei...Também não recordo quem me ensinou isto.  Tenho ideia que era uma canção popular e ainda me lembro de associar ao seu final, «Sebastião é um bruto barrigudo», o que já não era nada mau para a época. 

Depois olhei à volta, e a realidade deu-me um chapadão, surgiu mais um, entre tantos «Sebastiões» conhecidos, o pai da inocente Valentina e fiquei sem vontade de acrescentar mais nada.

Leituras na quarentena

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Já que muitos se encontram fechados em casa, podem entreter-se com leituras, mas ao menos escolham livros que agradem e sirvam para abrir as mentes.

«Homo Deus», obra que faz parte de uma trilogia, «Breve história da humanidade», e «21 lições para o século XXI», do historiador Yuval Noah Harari, tem sido um grande êxito de vendas, publicado em diversas línguas e países, fazendo-nos refletir sobre as implicações do mundo atual.

O livro, escrito numa linguagem acessível, divide-se em 3 partes, o homo sapiens conquista o mundo, o homo sapiens dá sentido ao mundo e o homo sapiens perde o controlo.

Diz o autor: «A História é testemunha da ascensão e queda de muitas religiões, impérios e culturas. Essas transformações não são necessariamente más. O humanismo tem dominado o mundo nos últimos 300 anos, o que não é assim tanto tempo.»...  «Talvez o colapso do humanismo também se revele benéfico.»...«É provável que no século 21 a humanidade seja levada para lá dos seus limites...é provável que os computadores sejam capazes de substituir os humanos em quaisquer funções.» (pags. 81,82, 83). 

Aqui fica o desafio, boas leituras, vos desejo.

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