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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Muros, solidão e velhice

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Muitos idosos vivem em grande solidão e falta de apoio e nem sempre por insuficiência económica.

Conheço uma senhora sozinha, no interior do país, apenas com sobrinhos netos, todos a viver longe. Tem perto de noventa anos e vários problemas de saúde, entre os quais fratura do colo do fémur. Seguiu-se cirurgia, fisioterapia e lá foi recuperando.

Assim, que se sentiu melhor quis logo voltar para a casa dela, que era dizia, onde se sentia bem. Pois quem é que não quer? O problema está em saber se estão reunidas as condições.

Recentemente, uma das sobrinhas netas foi alertada quanto ao estado da tia.

Tinha caído, alguém a sentou no sofá, mas agora não se mexia, nem falava.

Lá acudiram e chamaram o médico. Este foi de opinião, que não seriam precisos exames, nem internamentos, mas que a senhora se encontrava assim, por falta de alimentação adequada.

Uma tristeza, na verdade, que alguém, chegue a esta idade, e não tenha ninguém por perto para ao menos, lhe levar um prato de sopa, um copo de água, ou o que for. 

Neste caso, a família ainda foi a tempo de tomar providências e contratar ajuda para a idosa, apesar da resistência desta, que está agora francamente  a recuperar, mas quantas situações conhecemos nós, em que por abandono, negligência, falta de dinheiro, os idosos entram em subnutrição.   

 

 

Cabeças quadradas

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Em tempos ouvi um dos meus filhos chamar-me «cusca». Acho que «cuscos» ou curiosos somos todos, talvez uns mais do que outros, mas na verdade parece que as histórias vêm ter comigo.

Foi esta semana, num restaurante rápido no centro da cidade. À hora de almoço, a senhora estava sentada numa mesa sozinha diante de uma chávena de café vazia, com uma canadiana apoiada numa cadeira, a rabiscar palavras cruzadas numa revista,

Agarra no telemóvel e vai de telefonar para a filha, «que tinha muitas saudades dela, tinha pena de a ver tão poucas vezes, que da última vez, ela nem tinha subido para a ver, apenas mandara lá acima o neto para ir buscar uma coisa, que a filha vivia longe, na Costa da Caparica, mas que para quem tinha carro não era nada, e ela não tinha quem a levasse lá, e a dor na perna também não ajudava a andar de transportes.»

A solidão das mães e pais que criaram e viram partir os seus filhos, pode ser muito grande, sabemos.

Mas no meio de tanta queixa, a que se percebia que a filha lhe ia respondendo, «eu também tenho muitas saudades tuas, mas tenho tido muito trabalho»,  continuou a senhora, «mas sabes, o teu irmão mesmo que saia às tantas do trabalho consegue vir ver-me todos os dias, para ao menos me dar um beijo.»

Ai mães, mãezinhas, ai cabeças quadradas ou cúbicas, se a filha tinha pouca vontade de a ver e sobretudo de a ouvir, depois deste sermão, talvez regular, não imagino, a vontade ainda devia ser bem menor. 

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