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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Os sabores do Natal das nossas infâncias

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Anos a fio, o meu pai atormentou a minha mãe com o sabor dos fritos de Natal da terra dele, os chamados «coscoréis».

Todos os dezembros a minha mãe tentava acertar na receita, mas quando ele provava, dizia sempre, «estão muito bons, mas os que a minha mãe faziam eram mais assim ou mais assado...»

De novo no verão, na pequena aldeia da Beira Alta onde passávamos férias, a minha mãe tentava recolher em conversa com outras mulheres as receitas tradicionais dos doces fritos de Natal. Lembro-me de a ver a escrever e guardar as diferentes receitas, que também já variavam consoante a doceira. Sugestões para melhorar a doçaria havia sempre muitas, utilizar farinha disto, um cálice desta aguardente, deixar a massa levedar mais ou menos tempo, fritar em azeite, em óleo, usar açúcar amarelo ou canela em pó...   

A questão foi ultrapassada quando a minha mãe deixou de dar importância ao caso, ou seja, fazia as filhoses, que nós as filhas até preferíamos, segundo receita da terra dela, outra aldeia na Beira Baixa e também os coscoréis, em menor quantidade, dizendo ser tradição da terra do marido.  

Claro que os sabores nunca poderiam ser os mesmos, pois os ingredientes mudam, os paladares mudam, tudo vai mudando, até as memórias mudam. 

Bem podemos lembrar os sabores do Natal das nossas infâncias, mas o conselho é ir saboreando os paladares de cada Natal.  

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