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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Os mais idosos e as suas histórias

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Naquele dia, no banco, os quatro irmãos ficaram estarrecidos, como era possível, que as poupanças do pai tivessem desaparecido em pouco mais de um ano?

Levantamentos sucessivos e repetidos de dinheiro, primeiro mensais, depois quinzenais e por fim, quase todas as semanas. E agora a reforma, apesar de muito confortável, não ia chegar para os variados encargos.

Falaram com o pai, muito esquecido, muito confuso, lá foi dizendo, que sim, tinha ido ao banco, sempre com a Clarissa, tão carinhosa, que o tratava tão bem, para levantar uns euros, para as despesas, pois então, o dinheiro era dele, e fazia o que bem queria com ele.  

Falaram com a Clarissa, sim tinha ido ao Banco com o Senhor Engenheiro, ela nem queria, mas ele insistia, ao ver as necessidades dela, para mandar um dinheirito para os filhos lá no interior do Brasil e para a mãe, que precisava de ser operada. Era apenas um empréstimo, dizia entre lágrimas, ela ia pagar tudo logo que pudesse, que toda a vida tinha sido séria e vivido apenas do seu trabalho.

A custo, lá conseguiram despedir a Clarissa, fechar a casa, tendo o pai ido viver com uma das filhas.

Esta chegou a confidenciar-me, «fiquei espantada no outro dia, quando vi a tal Clarissa, toda sorridente, em Campo de Ourique, o bairro onde o meu pai vivia, de braço dado com outro idoso, fiquei com a certeza que a história vai recomeçar outra vez.» 

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