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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

O Ken Follet português? Querias, pois...

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Muitos escritores portugueses gostariam de  poder ser considerados ao mesmo nível de Ken Follet, autor inglês, conhecido pelos seus «best sellers» de leitura fácil e interessante, com obras adaptadas ao cinema e à televisão.

Follet é tido como um especialista nas mudanças europeias do século 20, nos acontecimentos das suas guerras mundiais e também no dia a dia da idade média, destacando neste caso, o esforço de construção das catedrais.

José Rodrigues dos Santos, autor de vários romances, muito vendidos no país, bem tenta nas suas «Flores de Lótus», fazer uma abordagem simplista embora, o que até pode ser uma mais valia, da situação portuguesa, russa, chinesa e japonesa, também ao longo do século 20, mas falha na descrição dos detalhes, o que torna a obra inverosímil ou ridícula.

Ora vejamos, na página 25, «naquele lugarejo perdido do interior norte de Moçambique, ...um candeeiro a petróleo pousado na mesinha ao lado do sofá.» Sofás, naquele lugarejo e no ano de 1902? Antes uma cadeira ou um banco de lareira, mas enfim, que passe.

Um pouco mais adiante, página 30, no mesmo lugarejo, «extensos campos de tomateiros cultivados até se perderem no horizonte.» Que tomateiros, são estes? Estes tomateiros, que aparecem várias vezes nesta obra, serão iguais aos europeus, plantas que precisam de suporte? Cultivados por quem e para quê, para vender e distribuir como, sem estradas, sem cadeias de frio, transformação ou venda?

E os portugueses descritos no Japão, como «pálidos como as neves do monte Fuji», página 266,  não parecem ter nada a ver com os desenhos dos biombos «nambam» que nos chegaram, onde os portugueses são retratados bem morenos, com cabelos e roupas escuras e grandes narizes?

E os olhos azuis da menina chinesa, página 282, não por serem azuis, que talvez os haja entre os chineses, mas antes por terem sido identificados pelo pai na recém nascida, quando a cor dos olhos dos recém nascidos, é em regra leitosa e indefinida, vindo a definir-se mais tarde.

Em 1920 em Lisboa, seria possível «dar entrada para um apartamento com quatro assoalhadas no Campo Santana», página 285,? Já haveria crédito à habitação e propriedade horizontal?  

São estes e outros pormenores que desvirtuam uma obra.

 

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