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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

Cabeças quadradas

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Em tempos ouvi um dos meus filhos chamar-me «cusca». Acho que «cuscos» ou curiosos somos todos, talvez uns mais do que outros, mas na verdade parece que as histórias vêm ter comigo.

Foi esta semana, num restaurante rápido no centro da cidade. À hora de almoço, a senhora estava sentada numa mesa sozinha diante de uma chávena de café vazia, com uma canadiana apoiada numa cadeira, a rabiscar palavras cruzadas numa revista,

Agarra no telemóvel e vai de telefonar para a filha, «que tinha muitas saudades dela, tinha pena de a ver tão poucas vezes, que da última vez, ela nem tinha subido para a ver, apenas mandara lá acima o neto para ir buscar uma coisa, que a filha vivia longe, na Costa da Caparica, mas que para quem tinha carro não era nada, e ela não tinha quem a levasse lá, e a dor na perna também não ajudava a andar de transportes.»

A solidão das mães e pais que criaram e viram partir os seus filhos, pode ser muito grande, sabemos.

Mas no meio de tanta queixa, a que se percebia que a filha lhe ia respondendo, «eu também tenho muitas saudades tuas, mas tenho tido muito trabalho»,  continuou a senhora, «mas sabes, o teu irmão mesmo que saia às tantas do trabalho consegue vir ver-me todos os dias, para ao menos me dar um beijo.»

Ai mães, mãezinhas, ai cabeças quadradas ou cúbicas, se a filha tinha pouca vontade de a ver e sobretudo de a ouvir, depois deste sermão, talvez regular, não imagino, a vontade ainda devia ser bem menor. 

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