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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

E assim chegamos ao fim deste nosso ano

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Estamos a chegar ao fim do ano, muita coisa se passou, umas correram pior, outras melhor.

Em jeito de ponto da situação, refiro que agora temos seis amigos de longa data que já tinham combinado (e pago), uma passagem de ano num hotel perdido no meio do Alentejo e que estão todos mais ou menos constipados, mas nem por isso querem desistir das suas combinações.

A cadela de uma familiar próxima morreu ao fim de uma longa e feliz vida, o que deixou a família consternada.

Em menos de uma semana porém, surgiu uma cachorrinha na vida dessa família, que como é natural  já conseguiu conquistar toda a gente.  

Num destes recentes almoços de Natal e nas barbas de todos os convivas, mas sem que alguém tivesse reparado, a uma das colegas foi furtado um telemóvel, dos novos e bons, o que a deixou bem aborrecida.

Vim a saber mais tarde, que a lesada reagiu indo comprar outro igual, dizendo «não há-de ser isto que me vai deitar abaixo.»

E quanto a mim fez muito bem, pois sou fã desse pensar, «não há-de ser isto que me vai deitar abaixo». 

Os sabores do Natal das nossas infâncias

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Anos a fio, o meu pai atormentou a minha mãe com o sabor dos fritos de Natal da terra dele, os chamados «coscoréis».

Todos os dezembros a minha mãe tentava acertar na receita, mas quando ele provava, dizia sempre, «estão muito bons, mas os que a minha mãe faziam eram mais assim ou mais assado...»

De novo no verão, na pequena aldeia da Beira Alta onde passávamos férias, a minha mãe tentava recolher em conversa com outras mulheres as receitas tradicionais dos doces fritos de Natal. Lembro-me de a ver a escrever e guardar as diferentes receitas, que também já variavam consoante a doceira. Sugestões para melhorar a doçaria havia sempre muitas, utilizar farinha disto, um cálice desta aguardente, deixar a massa levedar mais ou menos tempo, fritar em azeite, em óleo, usar açúcar amarelo ou canela em pó...   

A questão foi ultrapassada quando a minha mãe deixou de dar importância ao caso, ou seja, fazia as filhoses, que nós as filhas até preferíamos, segundo receita da terra dela, outra aldeia na Beira Baixa e também os coscoréis, em menor quantidade, dizendo ser tradição da terra do marido.  

Claro que os sabores nunca poderiam ser os mesmos, pois os ingredientes mudam, os paladares mudam, tudo vai mudando, até as memórias mudam. 

Bem podemos lembrar os sabores do Natal das nossas infâncias, mas o conselho é ir saboreando os paladares de cada Natal.  

Levar uma boa patada

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A levar mais uma patada é como os portugueses se devem estar a sentir com as notícias de outro banco a patinar.

Ele foi o Banco Português de Negócios, ele foi o Banco Espírito Santo, ele vai ser ainda o Novo Banco, o Montepio e sabe-se lá que mais. Agora é a história do Banif.

Mas o filme é o mesmo.

Ou seja, tem sido sempre o contribuinte a aguentar. 

Em nome de quê? Da estabilidade financeira? Valerá a pena, quando se antevê a fragilidade do sistema financeiro português? 

Cortam os vencimentos, aumentam os impostos, reduzem as pensões e os apoios sociais, mas para os bancos e os seus buracos, vai havendo sempre dinheiro.

Só gostava de fazer uma pergunta a quem me conseguir explicar, porque será que quando as coisas vão bem e os bancos dão lucro, esses lucros são distribuídos em dividendos, prémios, comissões e outras vias, e quando as coisas correm mal, então venha cá o Estado, melhor dizendo o «pagante»?  

 

 

O tempo anda baralhado

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O tempo anda baralhado, é o que qualquer pessoa pode dizer neste dezembro com temperaturas máximas em Lisboa, acima dos 15 graus.

No curto espaço das nossas memórias, não me lembro de facto de ter andado em dezembro pelo Chiado, eu e uma multidão, a tirar os casacos e os abafos e a transportar tudo na mão, devido aos calores.

Esta semana, houve finalmente acordo na cimeira de Paris, sobre as alterações climáticas, pelo que terá de ser dada preferência ao consumo de energias renováveis e não energias fósseis. 

Mas se ao menos houvesse certezas quanto aos causadores deste aquecimento....

Os cientistas saberão muito mais que a minha humilde pessoa, mas existem provas de que a terra sofreu períodos de aquecimento e de arrefecimento quando nem havia ainda seres humanos, quanto mais combustíveis ou poluição. Mistérios portanto.

Outro mistério, quanto a mim, é a informação divulgada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, chuvas intensas se aproximavam no sábado, vento forte e aviso amarelo. Onde? Pergunta-se, que ninguém viu nada, ou pelo menos eu não dei por isso.  

Estes avisos multicolores parecem a história do pastor e do lobo, que quando finalmente aparece o lobo, fartos de ouvir as mentiras do pastor, já ninguém liga nenhuma.

Penso sempre que mais vale fazer como antigamente, abrir a janela e colocar a mão de fora.

Que o tempo anda baralhado, posso comprovar pelo bonito Amarílis que me surgiu num vaso, como se o inverno não nos  tivesse fustigado e já fosse de novo primavera.

Ainda sou do tempo....

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Ainda sou do tempo da imprensa diária, matutina e vespertina, lembro-me dos ardinas na rua, a apregoar os seus jornais.

Depois veio a rádio e as famílias juntavam-se à volta do aparelho para ouvir as notícias e também os folhetins radiofónicos e os relatos da «bola.»

Depois apareceu a televisão e por aí fora, conforme sabemos.

Agora, todos podemos ter na mão os telemóveis, sempre ligados à internet, e saber constantemente como vai o nosso mundo.

Nesta corrida, a imprensa escrita terá ficado para trás. Pode ser consultada como referência e também através da internet, mas já não é a «portadora» de notícias, ou novidades. 

As novidades hoje, chegam-nos às palmas da mão e através da net.

Gosto do Sapo e do Observador e costumo utilizar ambos diariamente. 

O primeiro satisfaz-me com as capas da imprensa escrita, jornais e revistas e o resumo das notícias, mas o segundo para além das notícias diárias, tem sempre vários artigos de fundo e de opinião, que me agradam.  

Acho que estamos bem servidos. 

 

Boas Festas para os meus leitores

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Compartilho convosco esta imagem do nosso presépio velhinho, que tem passado de geração em geração, como aliás quase tudo na vida. Encantou os meus filhos quando eles eram crianças e continua ainda a deliciar os mais novos e também, acho, que os menos novos.

Algumas imagens estão lascadas e coladas, por vezes em resultado das brincadeiras da criançada, mas outras vezes as peças surgem surpreendentemente partidas ao desembrulhar o papel de seda, talvez devido às condições do armazenamento anual ou simplesmente dado o acumular dos anos. 

Contudo, acreditamos que servem muito bem e que fazem boa figura.

Preferimos este presépio usado a qualquer outro, pois este tem acompanhado a nossa família há muitos anos.

Assim, com a imagem deste presépio, desejo a todos os meus leitores um Natal Feliz e um Bom Ano

Todos iguais ou todos diferentes

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O diretor de uma escola primária e secundária do Norte da Itália, em Rozzano, resolveu este ano, não celebrar o Natal com o concerto habitual.

Motivo, um em cada cinco dos seus alunos não é cristão. Alguns não quereriam por isso, participar na festa, sendo que no ano passado já teria havido incidentes, pois houve  meninos que se recusaram a cantar as canções de Natal, permanecendo em pé, no coro com os colegas, mas sem abrirem a boca.  

Esta decisão, conhecida como o «caso Rozzano»,  está a ser muito comentada e criticada por toda a Itália,  e com alguma razão, convenhamos.

Uma sociedade multicultural tem de saber respeitar o outro, e as diferenças de cada um.

Não queriam cantar, por serem canções de Natal, não deviam ser obrigados a fazê-lo. 

Mas agora privar as crianças e jovens cristãos de participar numa festa tradicional, não vejo qualquer razão para isso. 

Este não é um exemplo de tolerância. 

 

 

Primeiro foram as baratas

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Primeiro foram as baratas, apareceram por todo o lado, sorrateiras, nas arrecadações, nos andares e nas escadas.

As caixas de correio encheram-se de mensagens de preocupação. A administração do condomínio chamou especialistas, firmas conceituadas e fizeram-se desinfestações. Mas volta e meia surge sempre uma sobrevivente.

Os especialistas chamados dizem, mas não sei se será alguma técnica de marketing para serem sempre chamados, que não se pode esmagar uma barata porque elas ao agonizar, libertam ovos. O que é verdade é que as ditas, segundo os queixosos, parecem sobreviver, embora eu nunca tenha visto nenhuma.

Agora novos alertas no correio eletrónico, desta vez acerca de ruídos e vibrações de baixa densidade, sentidos no prédio, impeditivos de dormir, ninguém sabe a origem, algum aparelho elétrico, alguma caixa de ar? Mais especialistas chamados, nem sei quais, mas o condomínio lá saberá...

No fim de semana, andei a encher almofadas e apesar dos cuidados, ficou uma poeira branca que o vento dispersou pelas varandas.

Enchi-me de pavor, que praga poderia vir a seguir e que novos especialistas poderiam ser chamados?

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