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Ninguém é feliz sozinho

Ninguém é feliz sozinho

O mau uso das armas de fogo

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Estes recentes casos de uso de armas de fogo durante uma discussão ou irritação deviam fazer-nos reflectir.

Na Quinta do Conde, um homem de 77 anos mata a tiro três homens, por causa de uma discussão que teve como origem, queixas contra o ladrar dos cães dos vizinhos.

Um ex-colega  norte americano, despedido e despeitado, mata a tiro dois colegas de profissão, um operador de câmara e uma jornalista, quando estes estavam a fazer uma reportagem de televisão em direto.

Revoltados, de cabeça perdida, usaram aquilo de que dispunham, as armas que tinham à mão. 

Pois é exatamente aí que bate o ponto.

Na facilidade do alcance de armas. No entanto, no caso português é, e bem, muito mais regulamentado e dificultado o acesso e a utilização de armas de fogo.

Lembro-me, em tempos, de uma zaragata por razões de trânsito, tendo um dos seus intervenientes, um camionista, descido do seu camião com uma barra de ferro, pronto para o que desse e viesse. O outro automobilista, vendo isso e porque era militar, lembrou-se de que tinha uma arma escondida no porta luvas do carro. Mas quando ia a deitar a mão para o abrir, pensou, «será que vale a pena desgraçar hoje a minha vida?» e recuou a tempo. Assim a divergência lá se resolveu com palavras e papeladas e não com agressões, e mais tarde entre os seguros. 

Talvez como escudo protetor, para todos, pudesse haver uma maior vigilância ou regular avaliação do estado mental dos portadores de licença de uso e porte de arma.

Contra o desperdício

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Combater o desperdício devia ser um dos lemas das nossas vidas e já agora também das nossas instituições.

Pedem-nos sacrifícios, cortam regalias, aumentam os impostos e ninguém se lembra de aproveitar devidamente aquilo de que dispomos, aquilo que é nosso?

Eu explico melhor. Existe um museu MUDE, na baixa de Lisboa, que pertence à Câmara Municipal, de entrada gratuita.

A Câmara está assim tão bem financeiramente que possa continuar a manter esta gratuidade? Porque não cobrar a entrada, por exemplo, a partir de uma certa hora ou para uma exposição, em concreto?  

A maior parte dos visitantes são turistas, será que não podem pagar pelo menos um euro, dois euros, para entrar?

Também o CCB em Belém, um dos locais mais visitados, é gratuito há muitos anos. Porquê?

Conheço uma bela praia na Ericeira, com umas instalações desativadas, um antigo matadouro, que poderiam ser aproveitadas para um bom apoio de praia, ou dadas de concessão a privados para exploração, mas que servem de arrumação de carros e caixotes de lixo da Junta de Freguesia.

Como estes, há milhares de exemplos. Ora, seremos assim tão ricos, enquanto coletivo, para desaproveitar os bens públicos de que dispomos?   

 

E os «camones» continuam a chegar

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Com o calor os «camones» continuam a chegar.

Domingo de manhã. Pequena padaria com forno e pastelaria, apinhada de gente, uns a comprar pão, outros a tomarem o pequeno almoço ou os cafés e lanches da manhã.

Uma senhora estrangeira para além do pão, disto e daquilo que vai levar, pergunta ainda, se «tem bolim do bolim sem creme.»

O sotaque é terrível.

O miúdo que, para desenrascar está a atender, ainda adolescente e atrapalhado, não entende.

Grita do lado o irmão mais velho, que com uma cotovelada rápida o afasta, «não ouves mouco, bola de berlim sem creme.» 

A senhora alto e bom som, desabafa, «parece que nem estou a falar português!»

Pois na verdade não parecia, mas aqui é sempre a aviar porque o cliente tem sempre razão.

Em português nos entendemos, ou quase

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Em português nos entendemos, dizem. 

De tarde, numa farmácia de Lisboa entram três brasileiros, duas senhoras e um rapaz, tentando comprar uma ligadura para o braço deste, que tinha tido um acidente, coisa já com algum tempo, mas ainda todo arranhado, parecendo quase em carne viva.  

Aquilo que nós chamamos ligadura, algumas auto colantes, adesivas, outras com desinfetante, com creme gordo, outras elásticas, não é nada parecido com a designação brasileira.

Foi muito difícil o atendimento, porque os termos não coincidiam, mesmo nada.

Por fim, com a paciência e a ciência da farmacêutica que ia mostrando os diversos produtos e explicando as qualidades de cada, lá houve entendimento.

Falamos todos português, não é, mas com muitas diferenças e dificuldades. 

Por isto se percebe ter pouca justificação o acordo ortográfico. A única que lhe encontro é a facilitação da grafia de acordo com a fonética. A forma falada da língua será cada vez mais diferente, pois a língua é um elemento vivo, em constante mutação, a não ser assim estávamos ainda todos no sul da Europa a falar latim, mesmo que metêssemos as mãos pelos pés ou as pernas para o ar.

Os muros que nos separam, países ricos e países pobres

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São impressionantes os números de imigrantes que chegam diariamente ou tentam chegar, para alguns infelizes que pagam com a vida, aos países da União Europeia.

Gente nova, famílias com filhos, a maioria foge de países em guerra, fogem pela sua vida. 

É um assunto sério e triste e muito longe de ter algum fim à vista.

É evidente que a Europa, a braços também com desemprego e mais não sei o quê, não os pode acolher a todos.

É também injusto que sejam os países tampão, Itália e Grécia, a arcarem com os maiores custos sociais e económicos do salvamento e acolhimento destes milhares de seres humanos.

Este êxodo já foi classificado como a maior crise de refugiados desde a segunda Guerra Mundial.

Seria então tempo de a União Europeia e as Nações Unidas tentarem em conjunto, estabelecer medidas de combate às redes organizadas de tráfico humano, de apoio aos campos de refugiados ou de criação de novos campos em zonas seguras e perto dos países de origem. 

Sendo a Europa um continente com uma população envelhecida, estes refugiados poderiam beneficiá-la como sangue novo, mediante o acolhimento de alguns, que seriam assim devidamente integrados.

Eu sei que é fácil falar, mas precisamos de criar uma consciência social sobre esta questão, por isso pergunto, e vocês o que acham? 

 

Chega o calor e chegam os «camones»

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Chega o calor, as praias e as esplanadas enchem-se e aparecem ainda mais «camones»...

Pergunta o turista para o empregado de mesa, «How much?»

Responde este, qualquer coisa como, «foti euros», que tanto poderia ser fourteen (14) como forty (40). 

Dado o consumo havido, duas pessoas, duas cervejas, batatas fritas e pouco mais, e segundo a tabela habitual, a coisa ficaria nos catorze.

Não cogitou assim o inglês, habituado a tarifas mais altas e vai de puxar duas notas de 20 euros e deixar ainda de gratificação uma moeda de dois euros.

Quando volta o empregado para recolher o dinheiro, deve ter pensado, ele há dias de muita sorte!

Mais coisas do antigamente

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A nossa memória é curta, mesmo curta.

Genericamente, vivemos todos hoje melhor do que há uma ou duas gerações atrás. Mas nem sempre temos isso presente com tanto queixume e lamento.

Reconto uma história ouvida na minha infância e passada num meio rural do interior.

Aproximava-se o dia do crisma dos jovens e as famílias costumavam convidar para madrinha do crisma a catequista, que era por sua vez a professora da aldeia. 

Era uma grande honra para a madrinha e um dia solene para os crismados.

Cada  família fazia uma pequena comemoração, de acordo com as suas posses.

Naquele ano, por qualquer percalço, o crisma foi adiado, teria de ser noutro domingo e não naquele anteriormente pensado.

Vai a mãe de uma das jovens, falar com a catequista madrinha, muito aflita, «senhora apesar de hoje não haver crisma, venha a nossa casa, pois agora que já está feita a despesa vai haver festa na mesma.»

E a madrinha catequista lá foi, pois se já estava feita a despesa, não queria desfeitear o convite.

E o que era a despesa afinal, pão de trigo fresco e saído do forno e um queijo de cabra por abrir. Pão com queijo.

Melhor, muito melhor, que pão sem queijo, um petisco para aquele tempo, (e também para o nosso, sem dúvida), mas o que é de realçar é a frugalidade natural do viver de então.

Ali estão no passeio

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Ali no passeio, à vista de quem passa na garbosa Avenida da Liberdade, estão estes dois cães acorrentados a uma bomba de incêndio, em flagrante contraste com o nome da Avenida. A intenção deve ser fazê-los ganhar o pão de cada dia, e para isso lá está o chapéu a recolher as ofertas.  

Não sei de quem são, nem sei qual o horário de «trabalho» dos pobres animais. Diga-se que os cães são mansos e estão à sombra e têm uma manta e duas gamelas, com ração e água. E poderá haver por aí casos muito piores, bem sei.

Mas há pouco tempo ouvi falar de uma lei sobre os maus tratos contra animais e existem várias associações de proteção para estes e então, não haverá nada a dizer ou a fazer neste caso?

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